Alfabetização: MEC precisa definir parâmetros
Apesar de pacto nacional, educação de alunos de até 8 anos precisa ser detalhada.
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Presidente do IAB comenta reportagem publicada no Globo
Finalmente o tema da alfabetização de crianças começa a ganhar espaço no debate nacional.
Vemos avanços por parte do MEC, que começa a admitir a importância de um programa de ensino para cada série. Se isso for feito, necessariamente levará a uma revisão na Provinha Brasil. Mas ainda permanecem enormes confusões entre alfabetização e outras coisas, como a capacidade de redigir textos ou de fazer operações matemáticas.
A questão do respeito ao ritmo do aluno sem dúvida é importante, mas precisa ser devidamente abordada: se o aluno é lento e tem mais dificuldade, precisa de mais ajuda para compensar sua deficiência. Todas as evidências existentes mostram que quanto mais se retarda o processo de alfabetização, pior é o desempenho do aluno ao longo da vida. Portanto, a forma de ajudar a quem mais precisa é acelerar, e não aumentar o tempo.
Finalmente continua confusa, para alguns, a questão do método. Recentemente o Dr. Stanislas Dehaene esteve no Brasil e trouxe os resultados de suas e outras pesquisas mostrando que os métodos de ensino de alfabetização não são arbitrários: eles devem ser adequados à forma como o cérebro aprende a ler. Misturar métodos faz mal ao cérebro, prejudica a aprendizagem.
Ou seja: começamos a avançar, mas avançaríamos muito mais se todos adotássemos as evidências científicas como base para um discurso educacional mais qualificado.
João Batista Araujo e OliveiraPresidente do IAB