Pisa 2012: pairam dúvidas

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Pisa

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é uma das mais respeitadas instituições multilaterais do mundo e o Pisa (Programa de Avaliação do Desempenho dos Alunos) vem se mostrando um importante termômetro da educação no mundo e um catalizador de reformas educativas.

Apesar do reconhecimento da importância do teste e da seriedade da instituição, há recorrentes problemas com o Pisa que vêm causando transtorno e mesmo indignação de respeitados membros da comunidade científica brasileira. Na edição de 2009 do exame, um estudo do professor Ruben Klein demonstrou que o avanço do Brasil naquele período se deveu a uma mudança na composição da amostra e não a melhorias na qualidade da educação e nas políticas públicas, como sugerido pelo relatório elaborado pela OCDE.

Na edição de 2012, ora divulgada, a amostra mais uma vez é questionada. O relatório que acompanha a apresentação dos dados tem levado inúmeros pesquisadores a levantar dúvidas importantes a esse respeito – e, por consequência, a respeito dos resultados, de seus significados e da análise que é feita. Entre os questionadores estão Gustavo Ioschpe, Francisco Soares, Creso Franco, Maria Helena Guimarães e André Portela (saiba mais no site do sociólogo Simon Schwartzman). Eles têm identificado problemas sérios que implicariam na revisão dos resultados, do seu significado e das implicações disso para as conclusões que vêm sendo tiradas.

Tudo leva a crer que se a OCDE aplicasse ao Brasil os mesmos critérios que usa com outros países, os resultados seriam diferentes.

Outro indicador preocupante é o tratamento diferenciado que vem sendo dado ao Brasil. No relatório do Pisa de 2012, o Brasil recebe três páginas no estudo de caso a ele dedicado, um espaço muito maior do que o dedicado a outros países. Mais do que o tamanho, o que preocupa é o tom, que mais parece umpress release de fontes oficiais e que destoa do tom objetivo e circumspecto que normalmente caracteriza os relatórios da OCDE e mesmo o restante do presente relatório.

Pela primeira vez a imprensa brasileira acolheu com bastante ceticismo o discurso oficial a respeito do resultado dos testes. Jornais como O Globo, O Estado de S. Paulo e a revista VEJA, entre outros, abriram espaço para apresentar dúvidas sobre a interpretação oficial. Este é um bom começo, pois o debate é essencial para o aprimoramento da democracia e para o estabelecimento da verdade.

O IAB pauta a sua atuação em função das evidências científicas. Dados estatísticos e avaliações, por sua vez, constituem a base para a verificação de evidências. Daí a importância da transparência sobre essas questões. O IAB convida a todos para acompanharem e participarem desse debate.

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