Caligrafia

1950

A palavra “caligrafia” significa simplesmente “letra bonita”, ou, mais precisamente, letra legível, letra escrita da forma certa.

No sentido escolar a palavra “caligrafia” significa a habilidade de escrever automaticamente, com rapidez e legibilidade. É uma habilidade essencial para o sucesso escolar e que traz outros benefícios para a aprendizagem da escrita, especialmente da ortografia.

Efetivamente a caligrafia é uma atividade mecânica, e que se aprende pela prática e repetição. Isso também é verdade da aprendizagem do canto, de instrumentos, das atividades físicas, da dança e de tantas outras que compõem nosso repertório de habilidades. Portanto, o fato de ser mecânico ou repetitivo não desqualifica a sua importância – apenas nos lembra que os seres humanos têm um corpo físico e nossas expressões – mesmo as mais espirituais e abstratas – requerem a participação do componente físico.

A caligrafia provavelmente poderá deixar de existir no futuro – com a disseminação dos computadores e das comunicações digitais. Mas ela ainda não desapareceu – a redação no ENEM é feita à mão. Isso sugere que a sociedade ainda requer que as pessoas dominem essa habilidade. E, se vier a desaparecer, outros cuidados deverão ser inseridos no currículo para assegurar o domínio ortográfico.

O ensino da caligrafia

  • A função social da escrita é, antes de mais nada, ser lida e compreendida pelo outro. Portanto a legibilidade é parte essencial da função social.
  • A caligrafia é essencialmente uma habilidade motora. Ela inclui a postura e o domínio dos movimentos que levam à produção das letras nas suas mais diversas formas.
  • A criança aprende progressivamente a “dominar” os movimentos que levam à produção das letras – na forma certa, tamanho certo e, progressivamente, na sequência certa, produzindo as “emendas” que ligar uma letra a outra na escrita cursiva.
  • A escrita cursiva é mais eficiente, pois não tiramos o lápis do papel e assim podemos escrever com maior rapidez.
  • Sendo uma atividade motora, a caligrafia exige treino e prática. Há sequências mais indicadas do que outras – normalmente a criança começa com a prática de traços mais amplos, posteriormente passa para formar letras “bastão” e em seguida, letras cursivas.
  • A prática leva à perfeição desde que seja prática espaçada e supervisionada, com um feedback adequado que ajude a criança a aprimorar seus movimentos e avaliar a propriedade e qualidade do que faz. Praticar é necessário, mas o feedback é essencial para aprimorar a prática.
  • O ensino das habilidades motoras deve ser efetuado com rigor nos primeiros anos de vida e o ensino das habilidades de caligrafia pode ser iniciado na pré-escola, sempre por meio de atividades lúdicas e bem sequenciadas. A postura e o uso adequado do lápis deve ser parte integrante desse treino.

Referências básicas:

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SOVIK, N. (Eds.),Development of graphic skills. Londres: Academic Press, 1991.

Montessori, M. The secret of childhood. New York, Ballantine Books, 1966.

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Richardson, S. Specific development dyslexia: retrospective and prospective views. In: MCINTYREE, C.W.; PICKERING, J. (Eds.), Clinical st

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