Secretaria Municipal de Educação de Sobral e Instituto Alfa e Beto promovem palestra sobre as cinco habilidades essenciais para a compreensão textual

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Foi ministrada no dia 23 de janeiro, no Centro de Educação a Distância de Sobral (CED), a palestra “as cinco habilidades essenciais para a compreensão textual”. Organizado pela Secretaria Municipal de Educação de Sobral, em parceria com o Instituto Alfa e Beto, o evento teve a participação de cerca de 300 pessoas, em sua maioria professores do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental I e coordenadores pedagógicos. Segundo a palestrante, Dayhane Alves Escobar Ribeiro Paes, professora e doutora em Letras pela UERJ, a iniciativa teve como anfitriãs coordenadoras, gerentes e supervisoras da SME da cidade. O público também foi composto por professores do 3º ao 5º ano, especialistas, estagiários de pedagogia, professores de escolas particulares, além de universitários de diversas áreas.

A palestra teve como objetivo apresentar um breve sumário das habilidades comprovadamente eficazes para desenvolver a compreensão da leitura: “São as habilidades necessárias para que um aluno ou uma pessoa desenvolva a capacidade – ou melhore – a compreensão de textos. A compreensão escrita e oral depende dos mesmos mecanismos, mas possui características distintas, dada a natureza diferente da fala e da escrita. Já a compreensão da linguagem – e da leitura – requer o domínio de pelo menos as seguintes habilidades: entender e ativar o sentido das palavras, compreender as sentenças, fazer inferências, compreender a estrutura do texto, e monitorar o processo de compreensão”, explica Dayhane.

Na primeira parte de sua apresentação, a palestrante explicou o significado de compreensão da leitura apresentando exemplos retirados de histórias em quadrinhos, charges, fragmentos de contos e anúncios de produtos. “Compreender é a capacidade de entender o texto no contexto em que está inserido, acionando conhecimentos além do que está explícito”, diz. Para explicar a questão da inferência, Dayhane mostrou uma tirinha da Turma da Mônica sem texto escrito. “Inferir é a capacidade que o leitor tem para completar as lacunas no texto, é reconhecer no seu conhecimento prévio sobre o assunto as informações que estão subentendidas, implícitas”, complementa.

Na sequência, a especialista falou de vocabulário (sentido literal e figurado, termos técnicos e termos específicos da situação comunicativa), sintaxe (relação entre os termos da frase, a função e o sentido das palavras no contexto em que estão escritas), estrutura (finalidade do texto, gêneros textuais, ideias principais e as partes do texto) e metacognição (capacidade de reconhecer onde está a dificuldade para compreender o texto e as estratégias utilizadas para resolver a própria dificuldade).

“A compreensão de leitura refere-se à capacidade de extrair o sentido de um texto escrito. A capacidade de compreensão refere-se tanto à compreensão verbal do que ouvimos quanto à compreensão do que lemos: são altamente correlacionadas. A compreensão verbal é relativamente mais fácil – a linguagem e a comunicação verbal possuem recursos, referenciais, contextos, redundâncias ou mesmo expressões faciais e gestos que podem facilitar a compreensão. Já a capacidade de compreensão da leitura depende de habilidade de leitura – especialmente ser alfabetizado e possuir um nível adequado de fluência. E ainda depende de saber lidar com o conteúdo e as características do texto escrito”, acrescenta.

Para Dayhane, é muito importante saber e reforçar que a compreensão é sempre específica a um conteúdo que sabemos. “Quanto mais sei sobre um assunto, mais fácil será a compreensão de textos sobre ele. Ter familiaridade com o conteúdo de uma determinada área, dominar seu vocabulário e conceitos são fundamentais para a compreensão de textos dessa área. Em geral, temos muito mais facilidade para entender um texto sobre um assunto que nos interessa do que outro texto mais específico de uma área que não desperta nosso interesse”, diz.

A especialista também enfatizou que as habilidades de compreensão, inclusive as ensinadas, não dispensam que os alunos, estimulados pela própria escola e pelos responsáveis, leiam muito textos de áreas diferentes para desenvolver muitos conhecimentos sobre muitas coisas. “O repertório de leitura do aluno não deve ser limitado. Quanto mais lê sobre assuntos de diferentes áreas, mais amplos serão seus conhecimentos e vocabulário”, diz Dayhane. Nesse sentido, pode até ser interessante para os alunos que seus professores leiam textos de séries mais altas. “Com isso, o aluno tem oportunidade de aprender mais vocabulário e sintaxe. Ele fica liberado da decodificação, concentrando-se mais na compreensão do texto que está sendo lido para ele”, conclui