João Batista Oliveira escreve no Valor Econômico sobre o provável aumento da evasão escolar com a epidemia e a decorrente perda de capital humano

229
evasão escolar

No artigo “Evasão escolar, pandemia e capital humano”, publicado nesta quarta-feira, 14 de abril, no jornal Valor Econômico, o professor João Batista Oliveira aponta quais seriam as possíveis ações de curto e longo prazo para lidar com o problema da evasão escolar, cujas taxas devem aumentar com a pandemia. Para ele, o pano de fundo dessa questão é o custo para o país – a perda de capital humano decorrente da evasão escolar.

Cabe às redes escolares identificar os alunos com maior risco de evadir e trazê-los de volta à escola. “Nos países desenvolvidos, a esmagadora maioria dos jovens fica na escola pelo menos até os 16 anos de idade. Poucos países conseguem que mais de 85% concluam algum tipo de ensino médio – a maioria dos jovens desses países conclui o ensino médio técnico, entre 30 e 50% concluem o ensino acadêmico. Mas todos desenvolvem estratégias para reter os jovens na escola por mais tempo”, diz o presidente do Instituto Alfa e Beto.

Na opinião do especialista, interessa sobretudo pensar no longo prazo – o que, convenhamos, não é típico da cultura brasileira de gestão. “Que fatores estruturais ou políticas públicas poderiam contribuir para reduzir as taxas de evasão”, ele pergunta.

Segundo o professor João Batista Oliveira, a política de maior impacto para reduzir a evasão escolar e aumentar as chances de sucesso acadêmico dos mais pobres é uma política robusta de Primeira Infância. Além disso, mudar a concepção e a oferta do ensino médio também poderia não só ajudar a reduzir a evasão escolar como também aumentar a produtividade do país como um todo.

Ele sugere, ainda, duas medidas no âmbito do sistema educacional: desenvolver indicadores que permitam um diagnóstico precoce de alunos candidatos à deserção e adotar políticas para reduzir drasticamente os níveis de reprovação – “atualmente são gastos mais de 40 bilhões de reais por ano com alunos reprovados, quase 20% do total de gastos em educação básica”.

Na avaliação do autor, o atual cenário político não oferece espaço nem interlocutores para um debate sobre o tema da evasão escolar. “Quem sabe as candidaturas presidenciais de 2022 deem a ele a importância que merece?”, conclui.

Leia o artigo na íntegra AQUI ou na reprodução postada abaixo.