Como o programa Alfa e Beto na TV – Pré-escola pode ser um aliado das secretarias municipais de educação no ensino remoto, híbrido e presencial?

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ensino híbrido, remoto e presencial

O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, e as educadoras Denise Mazzuchelli e Bruna Marins participaram de um evento virtual na quarta-feira, dia 16 de junho, para explicar como o programa Alfa e Beto na TV – Pré-Escola pode ser incorporado pelas escolas na transição para o ensino híbrido e presencial.

O encontro foi o primeiro de uma série de quatro sessões que discutirão o tema e contou com a presença de coordenadores pedagógicos, professores e outros profissionais da educação de vários municípios.

Confira os principais trechos:

Quais são os objetivos da Pré-Escola?

Segundo o professor João Batista Oliveira, as duas principais funções da Pré-Escola são: promover o desenvolvimento integral das crianças e prepará-las para entrar na escola.

“O que significa promover o desenvolvimento? A criança já nasce programada para se desenvolver. Porém, ela vai desenvolver mais ou menos se receber os estímulos adequados. Essa é a função dos pais, da comunidade e da educação na Pré-Escola.

Quais são os conteúdos do currículo desta etapa? As habilidades pertinentes a diversas áreas do desenvolvimento infantil. O currículo da Pré-Escola é o currículo do desenvolvimento infantil. É preciso desenvolver a dimensão física, motora, social, linguística etc. da criança.

Na proposta do Instituto Alfa e Beto, temos três princípios norteadores para alcançar esse desenvolvimento: as interações, a intencionalidade pedagógica e o princípio de aprender brincando.

Agora, sobre o segundo objetivo, que é preparar a criança para a escola, é preciso desenvolver o gosto pelos livros, a fala, o vocabulário e o uso da linguagem padrão.

Também é importante ficar atento às funções executivas importantes para o trabalho escolar, como atenção, memória e controle dos recursos.

No programa Alfa e Beto na TV, usamos o tempo todo uma série de estratégias pensadas justamente para desenvolver essas habilidades que são cruciais no currículo da Pré-Escola”.

Como desenvolver o vocabulário?

Segundo a psicóloga e educadora do programa Alfa e Beto na TV Denise Mazzuchelli, na seção “Brincando com as Palavras”, do programa Alfa e Beto na TV – Pré-Escola I e II, há diversos exemplos sobre como desenvolver o vocabulário.

“Primeiro, quero chamar atenção não só para o que vou falar, mas como vou falar. Muito do que acontece antes, durante e depois da leitura de um livro tem a ver com o tom de voz que o educador usa.

O tom de voz e o ritmo, a forma como falo, é diferente da forma que estou falando com vocês agora. No entanto, não falo com as crianças de maneira infantilizante.

Para desenvolver o vocabulário, uso palavras que a maior parte delas não sabe exatamente o que é.

Elas podem não saber, por exemplo, o que é “enredo”, mas acabam pegando o sentido pelo contexto. Uso essas palavras intencionalmente porque quero ampliar o vocabulário das crianças.

Percebam que intencionalmente adiciono palavras na conversa para propiciar um diálogo em torno da leitura”.

Como desenvolver a compreensão da leitura?

Ainda segundo Denise Mazzuchelli, para desenvolver a compreensão da leitura, é importante realizar com as crianças uma conversa que antecede a leitura propriamente dita.

“Devemos trazer contexto e informações. Por exemplo, ao falar sobre os índios, mostro imagens das comunidades, falo sobre o Amazonas, tudo para que a criança entenda sobre o que se trata a leitura e possa compreendê-la melhor.

A conversa anterior é a conversa que cria o contexto. Ela cria o terreno para a criança compreender o que vem depois. Quando falo que os índios usam uma cuia, é porque no texto a cuia que a índia usava para ralar o guaraná se transforma no casco de um jabuti.

Essa é uma informação importante para a compreensão do texto. Se a criança não sabe o que é uma cuia, possivelmente não vai compreender essa parte. Quando mostro uma imagem e falo sobre a cuia, é porque essa é uma informação importante para compreender o que vem em seguida, na leitura do texto.

Nesse sentido, uma conversa sobre um livro em um contexto educacional tem uma intencionalidade, um objetivo. Ou seja, há perguntas que ajudam, que favorecem, e outras que são absolutamente irrelevantes. Perguntar se achou a roupa do personagem bonita, por exemplo, não ajuda em nada a criança.

Outro ponto é o que chamamos no Instituto Alfa e Beto de “espichar a conversa”. No exemplo do texto sobre o Dragão, resolvi conversar sobre bichos de estimação de uma maneira geral com as crianças.

O que é bicho de estimação? Você sabe? Você tem um bicho de estimação? Quais são alguns exemplos de animais de estimação? O Dragão quer morar na sua casa – será que isso vai dar certo?

Você percebe que essas perguntas têm o objetivo de “espichar a conversa”. São feitas “em camadas”. Não chego direto lá no que o dragão queria. Meu objetivo era esse: fazer com que as crianças compreendessem o que o dragão, o narrador do texto, queria.

Começo perguntando sobre as experiências deles. Sobre a vida deles. O que é um bicho de estimação? Quem tem? Quais exemplos? Aí vou camada por camada até chegar no objetivo dessa conversa que é “o que o dragão queria”? Ele queria ser cuidado, queria carinho.

“Livro de Atividades”: o que desenvolve?

No programa Alfa e Beto na TV – Pré-escola, depois que Denise Mazzuchelli faz as leituras com as crianças, a também educadora Bruna Marina entra com o “Livro de Atividades” para realizar algumas atividades relacionadas ao que os alunos acabaram de ler.

“Fazemos desde tarefas práticas até o espichar a conversa. Por exemplo, quando a Denise faz a leitura do livro “O chão de estrelas”, há uma colcha de retalhos na história. Então, eu releio o texto com as crianças, ensinando o que cada palavra significa ou seus sinônimos.

Se a atividade é desenhar uma colcha de retalhos, ensino as crianças a fazer. Isso também trabalha o desenvolvimento motor fino. No livro, as crianças precisam desenhar a colcha. A atividade trabalha com padrões, com elementos de matemática, com formas, coisas do dia a dia”.

Como os professores podem se preparar para dar aulas melhores?

“O que o professor deve fazer na sala de aula? O que ele precisa fazer na reunião de planejamento?”, pergunta o professor João Batista Oliveira, que acrescenta:

“É importante que o educador se prepare bem para cada atividade e desenvolva um envolvimento emocional com a criança.

Estou comunicando com a criança? Estou dando o melhor de mim e fazendo o possível para fazer essa ponte entre o livro e as atividades propostas depois?

Como os professores do Alfa e Beto na TV fazem a transição da leitura, do vocabulário, da sintaxe, e como exploram o vocabulário, as diferentes estratégias? Como apresentam e exploram as atividades?

Estamos fazendo aqui o detalhamento disso para que se veja o que é intencionalidade pedagógica, o que é educar, o que é promover o desenvolvimento infantil. É a memória, atenção, conceito e conhecimento. Tudo isso é objeto da educação infantil”.