Cidade gaúcha alfabetiza alunos do 1º ano em 2020 e mostra como é possível ter ganhos de aprendizagem durante a pandemia

Resultados de testes em 51 das 54 escolas da rede municipal de ensino de Viamão (RS) mostram que 62% dos alunos do 1º ano atingiram o nível máximo de alfabetização e 8% atingiram o nível considerado razoável, mesmo com todas as dificuldades impostas pelo distanciamento social e suspensão das aulas presenciais.

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Um estudo realizado pelo Instituto Alfa e Beto em escolas de Viamão (RS) mostra que 70% dos alunos do 1º ano que responderam a testes aplicados em dezembro de 2020 foram alfabetizados, mesmo com o ensino à distância adotado pela rede municipal devido à pandemia.

Na contramão da grande maioria dos estudos sobre perdas de aprendizagem relacionadas à quarentena e suspenção das aulas presenciais, o trabalho apresenta evidências de ganhos de aprendizagem na alfabetização, justamente a etapa que apresenta os maiores desafios para o ensino à distância.

A avaliação foi realizada por meio de aplicativos desenvolvidos pelo Instituto Alfa e Beto com testes de alfabetização e fluência de leitura. Por meio de grupos de whatsapp, as escolas orientaram os pais sobre como fazer o download dos aplicativos para que os alunos realizassem os testes off-line. No total, participaram 570 alunos do 1º ano.

Os resultados indicaram que 62% dos alunos atingiram o nível máximo no teste de alfabetização e 8% atingiram um nível de aprendizagem considerada adequada – ou seja, praticamente 70% dos alunos teriam sido alfabetizados.

Mais de 90% das famílias tinham acesso à internet e receberam orientações da Secretaria Municipal de Educação sobre como baixar os aplicativos e fazer os testes nos celulares. Alunos de 51 das 54 escolas do município responderam o teste.

Alfabetização em quarentena – Ao longo do ano letivo de 2020, os alunos do 1º ano da rede municipal de ensino de Viamão participaram das atividades previstas no Programa Alfa e Beto de Alfabetização.

A partir de meados de março de 2020, devido à pandemia de coronavírus, o ensino passou a ser realizado totalmente à distância. Cerca de 90% dos alunos tinham acesso à internet em casa e estavam vinculados a grupos virtuais de cada turma.

Os alunos usaram os livros didáticos do Programa Alfa e Beto de Alfabetização e receberam pelo whatsapp orientações sobre as tarefas a serem realizadas. Além disso, tiveram acesso ao software Ilhas do Alfa e Beto.

O município de Viamão adotava desde 2018 em toda a sua rede de ensino a metodologia de ensino estruturado do Instituto Alfa e Beto, tendo obtido um aumento expressivo das notas de Língua Portuguesa e Matemática na Prova Brasil de 2019.

A avaliação – O teste de alfabetização foi aplicado na forma de um joguinho baseado no software Ilhas do Alfabeto. O teste é autoaplicável, com instruções não verbais (orais e pictóricas) de fácil compreensão.

Feito o download do aplicativo e colocado o nome do aluno, os desafios vão aparecendo. A duração do teste depende do nível que o aluno alcançar, podendo chegar a aproximadamente 15 minutos.

O teste de alfabetização avaliou seis habilidades, sendo cada uma delas escalonada em três níveis de dificuldade. O aluno só avança de nível no aplicativo se acertar 70% ou mais dos desafios de cada nível.

Os pais foram informados de que o teste não era para dar notas, e sim para avaliar o progresso dos alunos e fornecer um diagnóstico para as escolas e a Secretaria Municipal de educação.

No teste de fluência de leitura – baseado no aplicativo Craques da leitura, também desenvolvido pelo Instituto Alfa e Beto – 28% dos alunos atingiram o objetivo de ler pelo menos 60 palavras por minuto com menos de 5% de erros.

Cabe observar que se é difícil alfabetizar à distância, mais difícil ainda é desenvolver a fluência de leitura, sobretudo com a ausência de atividades frequentes de modelagem e feedback.

Comentários sobre o estudo – Para o presidente do Instituto Alfa e Beto, professor João Batista Oliveira, os resultados da avaliação realizada em Viamão mostram que é possível ensinar e aprender durante a pandemia.

– O sucesso depende da qualidade do ensino, de sua efetiva implementação e de seu gerenciamento. A tecnologia, como uma ferramenta, tem um papel importante para assegurar a comunicação entre professores, alunos e familiares dos alunos, mas não é essencial para promover o ensino em si, diz.

Segundo o especialista, as perdas de aprendizagem durante a pandemia não são uma fatalidade. Elas decorrem da qualidade das intervenções e do gerenciamento realizado pelas escolas e pelas secretarias de educação.

– A qualidade do ensino depende essencialmente da adequação e qualidade dos materiais didáticos e das orientações enviadas para os alunos, e no caso dos alunos não alfabetizados, da colaboração e participação ativa dos pais, acrescenta.

Por fim, João Batista Oliveira alerta para a responsabilidade das secretarias e das escolas públicas, que devem assegurar ensino de qualidade aos alunos mesmo durante períodos difíceis como o que estamos vivendo.

O estudo – Para acessar o relatório Ganhos de aprendizagem durante a pandemia – Alfabetização em Viamão (RS), clique AQUI.