João Batista Oliveira explica a importância da avaliação diagnóstica no contexto da volta às aulas

Em vídeo, presidente do Instituto Alfa e Beto destaca a importância da avaliação diagnóstica bem feita para o planejamento das escolas e das redes públicas de ensino com vistas ao retorno das aulas presenciais.

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avaliação diagnóstica

Em um vídeo que pode ser assistido abaixo, o professor João Batista Oliveira explica a importância da avaliação diagnóstica para alunos do ensino fundamental, principalmente no contexto atual de volta das aulas presenciais.

De acordo com o presidente do Instituto Alfa e Beto, os resultados obtidos por meio das avaliações podem ser essenciais para o planejamento de escolas, secretarias de educação e prefeituras.

“Se o aluno está no 3º ano, queremos saber se ele domina os conteúdos do 3º ano ou se há lacunas no conhecimento. Podemos usar essas informações para acertar o passo e ajudar o aluno, a turma ou a escola a alcançarem os objetivos de aprendizagem”, explica.

Com o retorno progressivo das aulas presenciais, milhões de estudantes poderão frequentar a sala de aula regularmente. Para o professor João Batista Oliveira, essa é a hora de “tomar o pulso” dos alunos, tendo como referências o Plano Nacional de Alfabetização e a Base Nacional Curricular Comum.

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“Para avaliar com eficiência, é necessário ter em mãos instrumentos robustos que deem a chance de o aluno demonstrar o domínio em cada habilidade presente no currículo. Depois, é preciso decidir se a escola vai manter as turmas como estão ou se vão realocar os alunos em turmas diferentes”, comentou.

A importância da Avaliação Diagnóstica

O presidente do Instituto Alfa e Beto defende a utilização dos recursos das escolas e redes públicas de ensino em medidas eficazes que devem ser baseadas no diagnóstico da proficiência dos alunos.

Para ele, o trabalho a ser realizado deve focar nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. “Não adianta estender o horário e gastar o que não temos. A avaliação bem feita permite justamente intervenções mais precisas para resolver os principais problemas”, ressalta.

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Veja abaixo os principais pontos abordados pelo professor João Batista Oliveira nesse primeiro vídeo em que ele fala sobre avaliação diagnóstica:

. Ele responde as seguintes perguntas:

– Para que avaliar?

– Quando avaliar?

– Como avaliar?

– O que fazer com os resultados?

A primeira pergunta é: por que avaliar? 

Estamos falando de avaliação diagnóstica e de um contexto de volta às aulas depois da pandemia. Entretanto, o diagnóstico se relaciona a qualquer momento em que você, como prefeito, como secretário de educação, como responsável por uma escola, pretende saber onde estão os alunos.

Então, a primeira pergunta, por que avaliar? Há três razões pelas quais atualmente se avaliam os alunos em educação. Primeiro, diagnosticar, saber onde estão os alunos. O foco da avaliação é o indivíduo. Saber como cada aluno está em relação a um objetivo qualquer – tipicamente o currículo escolar.

Uma segunda razão é comparar onde os alunos estão em relação ao que deveriam estar. Os alunos que estão em um determinado ano dominam os conteúdos já aprendidos naquele ano e os conteúdos do ano anterior? Há lacunas no conhecimento?

A terceira razão, já tendo realizado o diagnóstico, é usar essa informação para acertar o passo – qual é a nossa meta e quais são os caminhos que devemos traçar para poder ajudar o aluno, o conjunto de alunos de uma turma e a escola a alcançarem os objetivos?

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A segunda pergunta que nos propusemos a responder é quando avaliar?  

No caso específico, estamos falando do momento da volta às aulas nesse contexto de pandemia. Então, o momento é agora, é o mais cedo possível. Os alunos voltando a frequentar a escola regularmente, voltando a ter contato com os professores, com os colegas – é a hora de avaliar. Queremos exatamente tomar o pulso nesse momento da volta às aulas.

A terceira pergunta é: como avaliar? Quais são os procedimentos? 

Tipicamente, a referência para qualquer avaliação é o ponto de chegada, ou seja, onde você quer que o aluno chegue – e tipicamente esse ponto de chegada é o currículo.

O currículo, no caso da alfabetização, são as diretrizes do Programa Nacional de Alfabetização, do MEC. Para as demais séries, a BNCC, a Base Nacional Curricular Comum, que apresenta as expectativas de desempenho para cada disciplina, para cada série escolar.

Para avaliar, você precisa ter em mãos instrumentos robustos, testes robustos. Testes que apresentam um conjunto de questões que dê ao aluno chances de demonstrar o domínio daquelas expectativas, daqueles objetivos, daquelas habilidades que estão presentes no currículo.

Então, dado o objetivo que é avaliar o aluno na sua turma, na sua série, em relação a uma expectativa curricular, a teoria de avaliação mais adequada, no caso, é a teoria clássica: você quer comparar o aluno com ele mesmo, com um parâmetro de aprendizagem. Você quer saber onde o aluno está em relação a um objetivo curricular.

Você precisa, então, ter testes robustos, desenvolvidos de acordo com técnicas adequadas para a elaboração de itens, e que sejam fáceis de aplicar – seja pelo papel, seja por um dispositivo eletrônico como um tablet, de forma coletiva.

No caso da alfabetização, obviamente há especificidades – pode ser um teste escrito, se os alunos forem minimamente alfabetizados; pode ser também um teste oral, se não o forem.

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. A quarta pergunta é: o que fazer com os resultados?  

O foco da avaliação é sempre o aluno – ela é o termômetro para saber onde o aluno está e onde pode ser colocado. Já o foco da intervenção tipicamente é a turma. Mas o que fazer com os resultados? Quais são as decisões a serem tomadas com base na avaliação? Você vai manter as turmas como estão? Vai reagrupá-las de alguma forma? Como e com que recursos você atenderá os alunos com idiossincrasias, com dificuldades específicas, os alunos que estão mais atrasados do que os outros?

As decisões devem ser tomadas de acordo com o currículo e com os instrumentos que se tem para intervir.

Tipicamente falamos de avaliação de aprendizagem nas disciplinas básicas: Língua Portuguesa e Matemática. Então, as intervenções também devem focar nessas disciplinas.

Se você tiver alunos com grandes dificuldades – e se tiver recursos para atendê-los, recomendo que lhes dê um atendimento tutorial. Mas tem de ser um atendimento de alta qualidade, dado por profissionais de alta qualidade, com materiais de alta qualidade. Não adianta fazer com estagiário inexperiente e usando qualquer tipo de material.

Quando falamos sobre o que fazer com os resultados, é importante também pensar no que não fazer.

Vejo na imprensa as pessoas falando em “ampliar o tempo, dar mais aulas, estender o horário”. Ou seja, vamos esgarçar recursos que, em geral, não temos. Não é a melhor medida. A melhor medida é diagnosticar, ter pontaria nas intervenções e usar bem o tempo disponível. Em outras palavras, aproveitar bem o tempo, os recursos e os melhores professores para resolver os problemas mais importantes, comuns e gerais.