Leitura compartilhada entre pais e filhos pode prevenir disparidades educacionais durante a pandemia, aponta novo estudo

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leitura compartilhada

Estudo realizado na cidade de Arcoverde (PE) com gestantes e famílias com crianças de até dois anos de idade sugere que a leitura compartilhada entre pais e filhos pode prevenir possíveis disparidades educacionais durante a pandemia.

Os autores do estudo (Alan Mendelsohn e Luciane Piccolo, do Departamento de Pediatria da Universidade de Nova Iorque; João Batista Oliveira, do Instituto Alfa e Beto; e Guilherme Hirata, da consultoria IDados) analisaram como as intervenções da Universidade do Bebê – programa de leitura compartilhada entre pais e filhos desenvolvido pelo Instituto Alfa e Beto em parceria com o pediatra Alan Mendelsohn, da NYU – influenciaram no desenvolvimento infantil e na qualidade do ambiente cognitivo-linguístico familiar, essenciais para o progresso da linguagem e das habilidades de pré-alfabetização.

A intervenção foi baseada no empréstimo semanal de livros para os pais e workshops mensais coordenados por psicólogos, onde foram discutidos os desafios e estratégias para a leitura interativa em casa.

O estudo randomizado (RCT), realizado antes e durante a pandemia, na cidade de Arcoverde, contou com a participação de 400 famílias, sendo 200 do grupo intervenção e 200 do grupo controle. Cerca de 90% das famílias do grupo intervenção apresentaram resultados superiores às famílias do grupo controle em termos de qualidade do ambiente cognitivo-linguístico, ou seja, interações pais/mães-filhos(as) por meio de leitura, brincadeiras e atividades cotidianas.

Dentre os ganhos das crianças que participaram do programa, estão o fortalecimento das habilidades cognitivas, linguísticas e socioemocionais, fundamentais para o desenvolvimento da linguagem e a preparação para a entrada na escola.

Apresentado na XI Reunião Anual do IBNeC – Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento, e no I Fórum Nacional de Ligas Acadêmicas em Neurociências, eventos realizados recentemente, o estudo indica que a leitura de qualidade em casa entre pais e filhos pode ser um caminho por meio do qual déficits educacionais podem ser evitados ou minimizados, principalmente no contexto da leitura, responsividade verbal e envolvimento dos pais no desenvolvimento das crianças.

O trabalho foi submetido para publicação em uma prestigiosa revista americana da área de Pediatria e deve ser publicado ainda este ano.