Educação: balanço de 2021

O que as redes de ensino aprenderam com a pandemia e vão efetivamente mudar em 2022 em relação aos alunos, às famílias e aos professores?

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Nos melhores casos, o saldo da Educação em 2021 será negativo. Resta saber se vamos aprender com a experiência. Seguem algumas sugestões para os gestores interessados no tema.

Bem ou mal, as aulas voltaram na maioria dos municípios. Alguns indicadores podem ajudar o gestor a fazer uma avaliação de suas redes.

Primeiro, indicadores de frequência: qual porcentagem de alunos frequentou aulas regularmente no segundo semestre? Segundo, indicadores de perdas: quantos alunos não retornaram?

Esses dois indicadores darão uma ideia da eficiência da rede. Quanto mais próxima de 100%, no caso da frequência, e quanto mais próxima de zero, no caso da evasão, melhores terão sido as estratégias de busca.

Um terceiro conjunto de indicadores: foi feito um diagnóstico dos alunos e, se foi, os instrumentos foram adequados? Se foram adequados, o gestor saberá quantos e quais alunos encontram-se em que estágio em relação ao desempenho esperado. Fazer um bom diagnóstico e usá-lo para interpretar a realidade já terá sido um grande avanço.  Não fazê-lo depõe contra a qualidade da gestão.

Se feito o diagnóstico, que providências foram tomadas? A partir de onde a rede de ensino retomou as atividades? Dado o tamanho do estrago ocorrido no país, o mais sensato terá sido recomeçar de onde os alunos estão de fato, conforme indicado no diagnóstico – e não de onde estão formalmente.

Como o seu município se situa nesse indicador? Apenas como referência: na maioria dos países desenvolvidos, em que as escolas ficaram fechadas por 15 semanas ou pouco mais, o atraso escolar é de meio ano para os alunos mais ricos e 1 ano para os alunos mais pobres. E na sua rede?

Agora um teste de fogo: o que a sua rede de ensino aprendeu com a pandemia? Dito de outra forma, se amanhã as escolas voltarem a fechar por um tempo indeterminado, sua rede de ensino está pronta para enfrentar um novo desafio? Tem instrumentos adequados? Ou seja: aprendeu algo?

E finalmente a pergunta que não consegue calar: o que sua rede de ensino aprendeu e vai efetivamente mudar em 2022 em relação aos alunos, às famílias, aos professores, enfim, ao ensino?

Feliz Ano Novo!

Reprodução na íntegra do artigo publicado pelo professor João Batista Oliveira nesta quarta-feira, em seu blog “Educação em evidência”, na Veja.