De volta às aulas

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de volta às aulas

Tudo será como antes. Nada será como antes.  Só o futuro dirá.  A pandemia fez enormes estragos na vida dos países, das pessoas e da economia em geral.  O atraso escolar causado pelo fechamento das escolas já começa a ser devidamente contabilizado – nos melhores casos os alunos das escolas públicas perderam dois anos de avanço.  E há muitas outras perdas a identificar e contabilizar.

No Brasil ainda paira muito hesitação sobre os riscos de voltar às aulas.  O temor é compreensível.  Mas os riscos são baixos – especialmente se tomados cuidados básicos.  E os benefícios são incomensuráveis.  Urge, portanto, retomar o fluxo normal das atividades escolares.

A escola tem várias funções além de ensinar. Uma delas consiste na formação de hábitos e rotinas – essencial para dar estabilidade, previsibilidade e segurança às crianças.  Mas também fundamental para organizar a mente, aprender a prever, a planejar e estimar de maneira correta o tempo e esforço necessário para cumprir com as tarefas.  Todas essas são aprendizagens que se transformam em hábitos e são essenciais para vencer na vida.  A falta de rotinas e previsibilidade cria incerteza, insegurança, gera ansiedade e, em casos extremos, pode até levar à depressão.  Quem diria que a escola contribui tanto para nossa saúde mental! Samara é o caso de falar algo aqui sobre o que a escola pode fazer? Mas aí fica muito grande- ou dizer que isso está tratado no link tal?

  • Restabelecer prontamente as rotinas. Seja com ensino presencial ou híbrido, é fundamental estabelecer ou restabelecer as rotinas: horário de dormir, acordar, ler, escutar fazer os deveres, ir à escola, ajudar com as tarefas de casa, divertir-se etc. Restabelecer as rotinas dá segurança, previsibilidade, um senso de normalidade. Mas também cria o senso e o hábito do dever.
  • Acompanhar a vida escolar dos filhos. Há várias formas de fazer isso e a dosagem depende da idade das crianças. No mínimo cabe aos pais criar as condições de rotina e ajudar o filho a progressivamente estudar e cumprir seus deveres de forma independente. Uma forma muito eficaz é sentar-se ao lado dos filhos enquanto eles estudam e fazem seus deveres, dedicando-se a tarefas semelhantes – como por exemplo ler um livro, fazer listas de compras ou atividades, acertar pagamentos enfim, atividades que exijam atenção e concentração.
  • Uma outra forma é acompanhar aulas virtuais ou participar de bons programas e softwares juntamente com os filhos, interagindo com eles, valorizando as aprendizagens e estimulando-os a se engajar nas tarefas propostas.
  • A hora das refeições e de momentos em família são oportunidades particularmente propícias para conversas em família, troca de informações ou mesmo brincadeiras e jogos – inclusive verbais- que estimulam a atenção, raciocínio e criatividade.
  • Ler livros – especialmente para os mais novos – é receita infalível para formar bons leitores. A leitura deve ser interativa, estimulando as crianças para participar e comentar.
  • Ao ver programas de TV a presença dos pais é importante para estimular a reflexão – inclusive a reflexão crítica sobre o que está acontecendo, diferenciar o real do imaginário, estimular os filhos a entender as regras, limites e fronteiras entre esses mundos.

Há um grande inimigo a ser combatido: o celular.  Os estragos que o celular vem causando em todo o mundo são gigantescos.  Possivelmente seus malefícios já contabilizados superam, de longe, os estragos da pandemia.  Há inúmeros males documentados que o celular vem causando – mas ele começa por algo aparentemente simples: a atenção.  A atenção é o sal da aprendizagem e o uso indiscriminado do celular destrói a atenção e capacidade de concentração – ou seja, destrói a chance de sucesso escolar.  Aos pais cabe a opção entre o celular e o futuro dos filhos.  E, como tudo em educação, o ensino começa e termina pelo exemplo.