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‘As bonecas de Fernanda’: autor exerce direito de resposta

A seguir, reproduzimos o direito de resposta do escritor Alexandre Azevedo, autor do livro As bonecas de Fernanda.

Meu nome é Alexandre Azevedo, sou escritor, filósofo e professor de literatura brasileira e portuguesa. Gostaria de esclarecer alguns pontos sobre a obra infantil de minha autoria, “As Bonecas de Fernanda”, que foi envolvida, injustamente, em uma polêmica na cidade de Salvador, Bahia:

Este livro foi publicado, pela primeira vez, em 1995 (e não 1965, ano em que nasci, como foi divulgado por alguns meios de comunicação) pela editora Paulus, São Paulo. Em 2010, a obra foi reeditada, confirmando a sua qualidade e aceitação, pela editora Imperial Novo Milênio, Rio de Janeiro. As bonecas retratadas em texto e imagens em nenhum momento são caracterizadas com intenção de desprestigiar ou ressaltar qualidades pessoais. A qualidade que deve ser observada, quando da leitura do texto, é o carinho que a menina Fernanda decide dedicar ao brinquedo preferido e é só isso.Nada daquela verborragia virótica emtorno de coisa tão simples.

Os versos do livro citados pelo vereador Sílvio Humberto não fazem referência em absoluto à cor ou à etnia de ninguém, tampouco nenhum dos versos que compõem a obra. A questão é que, de tanto a personagem Fernanda (uma criança pequena) brincar com a bonequinha de sua preferência, deixou‐a sem cabelo e com a aparência desgastada. E de tanto abraçá‐la e acarinhá‐la deixou‐a assim, com o aspecto que se vê. Não é preciso ser um doutor em pedagogia ou psicologia para compreender que uma criança, se tiver oportunidade, começa desde os primeiros anos a exercitar também sua amabilidade e, como no caso é uma menina,sua capacidade maternal. É claro que,se muito pequena, não terá a devida noção da conservação do brinquedo. A boneca que está velha e surrada, já foi uma boneca nova da loja de brinquedos.

Apenas se encontra assim, com pouco cabelo ou com o cabelo embaraçado – e para um cabelo de boneca isso não é difícil de acontecer – porque a menina brinca com ela o tempo todo. Essa observação é óbvia. Só mesmo educadores sem experiência ou aptidão seriam capazes de enxergar uma outra mensagem no texto e pior, profissionais totalmente incapacitados para levar seus alunos à conclusão da verdadeiramensagemdo texto.

Outra coisa: as criançastêm sim o seu brinquedo preferido e fazem dele seu amigo e confidente. A Fernanda se encantou com a boneca que não tem nome, como poderia se encantar com a boneca Teresa. Algum adulto teria a audácia de determinar ou de forçar uma empatia natural? Não acredito nisso. O que sei é que dei à minha filha Fernanda uma boneca quando ela passou por uma cirurgia aos dois anos de idade e, a partir daquele dia, ela nunca mais largou a boneca, era o amor da vida dela! Quando nasceu a Clarissa, ela ganhou da irmã, como prova de seu infinito amor, a boneca tão querida e também foi para a Clarissa amor à primeira vista. Foi desse episódio da minha vida pessoal que quis retratar através dos versos do livro, nada mais.

Tenho três filhos, Fernanda, de 22 anos; Clarissa, de 17; Pedro, de 8. E não falo de educação sem compromisso ou responsabilidade. Sou também professor há 26 anos e junto aos meus alunos procuro agir sempre da maneira mais lúcida e responsável possível. Por isso, a minha imensa indignação diante dessas críticas tão caluniosas. É uma pena, realmente, que ainda existam em nosso país tantos educadores tão despreparados para a função de conscientizar nossas crianças para suas próprias vidas. O que me pareceu sinceramente, é que os senhores, homens públicos, que fizeram tais acusações absurdas a mim e à minha obra, têm medo de possibilitar às crianças e aos jovens baianos que formem o seu senso crítico e aprendam a contextualizar informações. O que, admitamos, facilitaria em muito o voto de cabresto de seus futuros eleitores. Gostaria muito de saber se o digníssimo senhor Sílvio Humberto, algum dia, já foi criança e soube ver as coisas com coração puro e sem preconceitos. Ou se ele se tornou desde pequeno um infeliz que clama por atenção para si próprio ou para suas realizações, aproveitando‐se com muita má fé de todas as situações e distorcendo as palavras. Somente isso explicaria a atitude desprezível e total incapacidade de interpretação de texto que ele demonstra.

Tenho 25 anos de literatura, meio milhão de livros vendidos, e mais uma quantidade incalculável de leitores de meus textos, elogios e carinho de admiradores de todo o Brasil, inclusive da Bahia. Só teria a desejar ao senhor Sílvio Humberto e aos que comungam de sua visão limitadíssima e triste que encontrem por seus caminhos pessoas com paciência e compreensão, como, modéstia à parte, não falta a este que lhes fala. Não sou uma pessoa que se negue a ouvir críticas ou a acatar sugestões, se for o caso, mas ser caluniado de maneira vil e covarde, acusado de praticar racismo, realmente é experiência inédita para mim e posso assegurar‐lhes que é muito desagradável.

A obra “As Bonecas de Fernanda” está no mercado editorial há quase duas décadas. A obra agrada muito aos professores por oferecer um farto leque de sugestões para trabalhosinterdisciplinares a serem realizados com os pequenosleitores. Gostaria, por fim, de colocar‐me à disposição de todos os que se interessarem em saber maissobre as minhas obras (são 83 livros publicados por diversas editoras nacionais) ou mesmo dos que quiserem bombardear‐me de críticas e perguntas, já que, diferentemente do nosso grande Monteiro Lobato, ainda estou por aqui para responder por mim mesmo e por minhas criaçõesliterárias. Posso, inclusive, apresentar a minha obra “As Bonecas de Fernanda” na íntegra,tanto a da primeira edição quanto a da obra reeditada.

Grato por sua atenção,
ALEXANDRE AZEVEDO
alexandreazevedo65@hotmail.com
Alexandre Azevedo Wikipédia

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