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Baixo desempenho escolar: o que fazer para reduzir os riscos?

Há muitos fatores de risco que aumentam a probabilidade de estudantes nessa idade apresentarem nível baixo de proficiência escolar.

É bem provável que você conheça um estudante com baixo desempenho escolar. Eles não são raros: o equivalente a 40% dos alunos de 15 anos de idade no Brasil, de acordo com uma análise da OCDE divulgada no início deste mês. O relatório toma por base o resultado de adolescentes dessa faixa etária nos testes de Matemática, Leitura e Ciências do último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que em 2012 mediu o desempenho alunos em 64 países e economias do mundo.

Dos 2,7 milhões de avaliados no Brasil, 1,9 milhão de estudantes apresentaram sérias dificuldades em Matemática. Em Leitura e Ciência, a taxa de jovens com mau desempenho foi ligeiramente menor: 1,4 milhão e 1,5 milhão de estudantes, respectivamente. A análise mostra ainda que nenhum dos países avaliados conseguiu que todos os seus alunos superassem o nível básico de proficiência nas três áreas. Nem mesmo a Finlândia, Japão ou Coreia do Sul, que encabeçam o topo do ranking de qualidade de ensino entre membros da OCDE. Na média de todos os países, 28% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico de domínio em ao menos uma dessas três áreas.

Há muitos fatores de risco que aumentam a probabilidade de estudantes nessa idade apresentarem nível baixo de proficiência escolar. Estes fatores incluem não só problemas socioeconômicos, mas uma gama de características familiares e culturais. Pobres, meninas, imigrantes, alunos de escolas rurais ou que vivem com apenas um dos pais são os principais atores no cenário de notas ruins.

Para se ter uma ideia do impacto desses fatores, tomemos um exemplo: um menino socioeconomicamente favorecido, que vive e estuda em uma cidade, não é imigrante, mora com os dois pais na mesma casa, fez ao menos um ano de pré-escola e nunca repetiu tem apenas 5% de chance de apresentar baixo desempenho quando chegar ao Ensino Médio. Por outro lado, uma estudante pobre, menina, vivendo com apenas um dos pais, imigrante ou que fala uma língua diferente em casa, morando em uma área rural, que não frequentou a pré-escola ou repetiu um ano tem 83% de chances de ter um baixo desempenho, especialmente em Matemática.

Em outras palavras, os alunos desfavorecidos tendem não só a serem sobrecarregados com mais fatores de risco, mas esses fatores de risco têm um impacto mais forte sobre seu desempenho escolar.

Como reverter a situação

Alunos com baixo desempenho são exatamente aqueles com as maiores chances de abandonar a escola antes do término do ensino básico. Quando eles se tornam adultos, a baixa proficiência em Matemática e Leitura pode se traduzir em limitações para alcançar um trabalho mais bem remunerado, problemas de saúde e menor participação política e social na sociedade. De acordo com as evidências, quando uma grande parcela de sua população apresenta baixo desempenho, o desenvolvimento da nação em longo prazo está comprometido.

O relatório da OCDE mostra que o grupo em maior desvantagem tem os riscos reduzidos ao ser ensinado por professores que mostram interesse na aprendizagem de cada aluno; ajudam os alunos quando eles precisam; trabalham com eles até que entendam o conteúdo do curso; e dão oportunidade para a turma expressar suas opiniões sobre a aula. Os professores que possuem grandes expectativas para seus alunos; trabalham com entusiasmo; têm orgulho na sua escola; e valorizam o desempenho acadêmico também são mais propensos a fazer as atividades escolares e tarefas mais atraente para os alunos – reduzindo os riscos de abandono escolar. Escolas com materiais educacionais de alta qualidade também têm melhor desempenho na média dos países da OCDE.

As implicações dessas descobertas são claras. As políticas públicas devem enfrentar o baixo desempenho como uma prioridade – e traduzir essa prioridade em recursos adicionais. Lidar com esse problema exige uma abordagem multifacetada, adaptada às circunstâncias nacionais e locais. A OCDE conclui que, para melhorar, os sistemas de educação devem identificar os alunos e as escolas de baixo desempenho e intervir com políticas adequadas. Já as famílias podem contribuir para a melhora do desempenho com atitudes positivas em relação aos estudos, incentivando a frequência escolar, garantindo que a criança estude e faça o dever em casa, e incentivando a perseverança.

 

Para saber mais, acesse o documento completo da OCDE.

 

(Foto: Tânia Rego, Agência Brasil)

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