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Como estimular uma criança a gostar de Matemática?

Muitos pais e professores acham que saber Matemática é saber tabuada, fazer contas de cabeça e tirar notas boas. Tudo isso é muito importante, mas é apenas um pedaço da história. Para dar certo na escola e progredir na vida, a criança deve compreender, aos poucos, as formas de raciocínio matemático, a relação entre ideias e conceitos, a razão de utilizar uma determinada regra.

Como nem sempre os adultos tiveram uma boa base de Matemática ao longo da vida, o tema desperta muitas dúvidas, principalmente quando uma criança próxima começa a aprender os primeiros conceitos. Como estimulá-las a gostar de Matemática? Será que elas têm jeito para lidar com os números? E o que fazer se elas demonstram horror à disciplina?

Essas são algumas das perguntas mais frequentes que nos foram apresentadas por pais e professores e que são tratadas, junto com outros assuntos referentes à disciplina, na Coleção Matemática para Pais e Professores, uma publicação do Instituto Alfa e Beto que visa desmistificar a aura de dificuldade que paira sobre a Matemática e mostrar que, com estratégias de ensino correto, é possível que a criança tenha um bom desempenho.

Reproduzimos a seguir sete perguntas e respostas que estão no livro. A Coleção traz ainda sugestões de atividades para fazer em casa e na escola, e mostra como tornar mais prazeroso e eficiente o ensino da Matemática.

 

Tem crianças sem jeito para aprender Matemática?

Sim, algumas crianças demonstram mais jeito ou gosto para a Matemática, da mesma forma que podem demonstrar mais jeito ou gosto pela poesia, literatura, línguas estrangeiras, balé ou música. Mas, praticamente todas as crianças são plenamente capazes de aprender os conteúdos de Matemática previstos para o ensino fundamental.  Algumas aprendem com mais facilidade, outras precisarão se esforçar mais.

 

Como estimular uma criança a gostar de Matemática?

Não existe uma fórmula única, e isso também depende da necessidade de estímulo. Em todo o processo de educação, o educador deve ter como meta transformar estímulos externos em automotivação. O que estimula não são os brinquedos ou programas de computador, é a conversa que você tem com a criança diante das situações. Nos anos iniciais, antes da escola, pais, cuidadores e professores devem mais perguntar do que responder, apresentar situações que estimulem as crianças a fazer contagens, comparações, resolver problemas concretos (quantos objetos cabem numa caixa) etc.  O que mais a desestimula é errar e ficar com medo, com vergonha, ser desmoralizada diante dos colegas. Portanto, a melhor forma de ajudar é acompanhar a criança desde cedo, dia a dia, para que ela adquira base. É a base que dá confiança. Se ela aprendeu até hoje, é provável que amanhã ela também irá aprender.

 

O que se deve evitar ao tentar ajudar as crianças?

O número de erros que cometemos, como pais e educadores, é provavelmente muito superior aos nossos acertos. Isso não deve nos desencorajar. O importante é manter uma relação com as crianças que permita, inclusive, errar. Afinal, ninguém é perfeito. Mas existem alguns erros que são cometidos com muita frequência e precisam ser reparados:

  • Não ter o hábito de conversar com os filhos, de estimulá-los a interagir com você e com outros.
  • Deixar “rolar” para intervir depois.
  • Não estabelecer rotinas de estudo desde o 1º dia da aula.
  • Procurar o culpado (filho, televisão, a Internet, o professor)

 

 Quando deve-se começar a ensinar Matemática?

Desde cedo, desde os primeiros dias de vida. A Matemática é parte da vida. Na conversa do dia a dia, há situações que são estímulos naturais para falar sobre ela. Uma criança de poucos meses já pode ser estimulada a ver a diferença entre dois ou três estímulos, acompanhar movimentos, identificar formas, discriminar pequenas de grandes quantidades, maior e menor, aprender sobre posições, relações entre itens, identificar sequências (antes, durante, depois), tudo isso tem a ver com a Matemática. O importante é estar sempre alerta, aproveitando as situações naturais do dia a dia para despertar o interesse e a curiosidade da criança. Mais importante do que as respostas são as perguntas que você faz e as perguntas que a criança faz.

 

Quais os melhores jogos para desenvolver o raciocínio matemático?

Os melhores jogos são aqueles que desafiam a criança a usar estratégias para solucioná-los, como batalha naval, banco imobiliário, tangram, blocos lógicos, quebra-cabeças, jogos de memória, jogos de detetive etc.

 

O raciocínio matemático ajuda em outras disciplinas?

Sim, dependendo de duas condições. A primeira é se houver necessidade de usar Matemática em outras disciplinas – por exemplo, na aula de ciências ou de física. A outra é no sentido mais geral: se o aluno está acostumado a racionar matematicamente, você pode estimulá-lo a usar o mesmo processo de raciocínio diante de um problema de ortografia (Qual a regra? A regra se aplica a este caso?) ou para organizar uma sequência de palavras (por exemplo, da mais concreta à mais abstrata) ou palavras que pertençam a um mesmo conjunto (por exemplo, vertebrados ou carnívoros). Para haver transferência de aprendizagem é necessário conteúdo, é preciso praticar o processo de raciocínio lógico a uma situação específica. Não existe uma disciplina mágica que, uma vez aprendida, facilita a aprendizagem das demais.

 

O que fazer uma criança ter horror a Matemática?

Guardamos de propósito esta pergunta para o final. Se a situação chegou nesse ponto, seu filho precisa de ajuda especializada.  Mas tenha cuidado, pois há duas circunstâncias que dificultam a ajuda: você (pai ou cuidador) pode ser parte do problema; ou o professor pode ser parte do problema. Se o problema chegou nesse ponto, só resta procurar ajuda especializada, com a coordenação da escola, na comunidade ou junto a profissionais especializados. Quanto antes, melhor.

 

Tem mais perguntas sobre como ensinar Matemática para crianças? Escreva para nós.

 

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