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Estudo da Academia Brasileira de Ciências diz que Brasil usa métodos ineficazes para alfabetizar

O grupo da ABC passou quase cinco anos compilando estudos internacionais e analisando as mudanças nas diretrizes de políticas de alfabetização de diferentes países, que alteraram suas estratégias nessa área em função dessas evidências científicas.

Resultado de cinco anos de trabalho do Grupo de Estudo sobre Aprendizagem Infantil criado pela entidade, relatório da ABC será lançado em seminário da FGV dia 26. O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveria, é coautor, junto com Luiz Carlos Faria da Silva, da parte do relatório que trata de alfabetização.

No dia 26 de outubro, quarta-feira, será lançado livro com as conclusões de cinco anos de trabalho do Grupo de Trabalho sobre Educação Infantil, criado pela Academia Brasileira de Ciências em 2007. O lançamento será durante congresso internacional sobre o assunto promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Um dos principais temas do estudo é alfabetização, que é um dos maiores problemas da educação brasileira.

Nessa área, o trabalho conclui que o Brasil usa métodos de alfabetização superados, cuja ineficácia já foi exaustivamente comprovada por inúmeros estudos científicos internacionais, que vêm orientando há duas décadas profundas mudanças nas políticas de alfabetização de diversos países. Os métodos fônicos, baseados em instruções explícitas sobre a relação entre grafema (letra) e fonema (som), são, segundo esses estudos, os que apresentam melhores resultados quando se trata de alfabetizar. Outra conclusão do trabalho que contradiz as crenças e práticas correntes no Brasil diz respeito a idade para alfabetizar. As pesquisas indicam que a alfabetização é mais fácil e mais rápida quando promovida aos seis anos.

Criado em 2007 com especialistas em aprendizagem infantil de diferentes áreas — neurociências, psicologia cognitiva, economia etc –, o grupo da ABC passou quase cinco anos compilando estudos internacionais e analisando as mudanças nas diretrizes de políticas de alfabetização de diferentes países, que alteraram suas estratégias nessa área em função dessas evidências científicas.  Entre esses países estão França, Inglaterra, EUA, Austrália, Israel e Finlândia. Vários deles criaram seus próprios grupos de cientistas para analisar as evidências científicas sobre as melhores estratégias. Suas conclusões foram ponto de partida para o trabalho do grupo da ABC.

O relatório do grupo, que inclui ainda estudos sobre o desenvolvimento infantil em idade pré-escolar, será lançado pela ABC durante congresso sobre o tema que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) promoverá nos próximos dias 26 e 27 de outubro. No evento, o professor João Batista, presidente do IAB,  dará palestra sobre alfabetização. O encontro contará também com a presença do prêmio Nobel de Economia, James Heckman, autor de um estudo que mostra que a taxa de retorno obtida pelos investimentos em educação (tanto em termos de desenvolvimento e renda dos indivíduos como das nações) é tanto maior quanto mais precoce a faixa etária focada por esses investimentos.

Este é o quarto congresso científico internacional realizado no Brasil este ano que apresenta conclusão similar sobre a alfabetização no Brasil. O primeiro, promovido pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo reuniu 50 palestrantes de vários países. Apesar disso, o que ainda se ouve no Brasil é “esta polêmica entre construtivistas e defensores do método fônico não tem nada de novo; está provado que método não tem importância, o que conta é a competência do professor”.

Não é o que dizem os levantamentos de estudos científicos feitos pelos governos de vários países e agora compilados pelo grupo da ABC.  O mais grave é que os estudos constatam que o uso de métodos de alfabetização ineficientes tem impacto negativo muito mais forte sobre as crianças de classes socioeconômicas mais baixas.

O tema é bem oportuno. Afinal, na última avaliação de leitura do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, de 2009), o Brasil ficou em 54º lugar num ranking de 65 países, atrás de nações como Sérvia Romênia e Trinidad Tobago. O exame, que analisa a capacidade de leitura de estudantes de 15 anos da rede pública, concluiu que a maioria deles no Brasil apenas identifica palavras ou frases simples, não sendo capazes de compreender textos. Numa classificação de 1 a 5, em que 5 equivale à leitura fluente e 1 à capacidade de identificar palavras, a média nacional (de alunos de 15 anos!) ficou em 2, mas com grande contingente no nível 1, que é onde teria ficado a média global caso tivessem sido considerados apenas os meninos.  Segundo a Prova Brasil, metade dos estudantes de 5º ano são analfabetos.

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