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Parcerias entre escolas e universidades podem impulsionar a formação de professores

Se você é professor de Língua Portuguesa ou trabalha com formação de professores você sabe que um dos maiores desafios da escola é ensinar as crianças a ler e a escrever de forma eficiente e eficaz. Ser capaz de compreender o que lê e se comunicar de forma contundente é uma das chaves para o sucesso na escola e na vida.

Mas como garantir que o ensino da língua portuguesa seja eficaz? Como formar bem os professores dessa área e muni-los de técnicas apropriadas para ensinar a leitura, a gramática e a escrita?

Buscando respostas a essas e outas perguntas, e dando continuidade no seu papel de fomentar e estimular o debate a respeito da educação no Brasil, o Instituto Alfa e Beto traz ao Brasil o professor Roger Beard, um dos maiores especialistas em ensino da língua. Beard é pesquisador e professor da Universidade de Londres, eleita a melhor faculdade de educação de todo o mundo. Beard será palestrante do VIII Seminário do Instituto Alfa e Beto, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro.

Nós conversamos com Beard a respeito dos temas que serão tratados no Seminário e o resultado dessa entrevista será publicado em partes neste espaço ao longo das próximas semanas. A primeira delas você confere a seguir (as demais partes você confere aqui):

O senhor está ligado à Universidade de Londres, que é considerada a Faculdade número 1 em Educação. Quais são as características essenciais de excelência na formação de professores?

Eu acho que as universidades que trabalham em conjunto com escolas podem influir positivamente no começo da carreira do professor, porque nós precisamos de um conhecimento especializado da aplicação do que ensinamos ao mundo real. Cada vez mais na Inglaterra temos boas parcerias entre universidades e escolas – as escolas entendem o que universidade está tentando fazer enquanto a universidade entende o que a escola está tentando fazer.

E o que as Universidades estão tentando fazer na Inglaterra?

Na Universidade de Londres, por exemplo, os alunos que estudam para se tornar professores são submetidos a um processo de seleção rigoroso e a currículo igualmente rigoroso. O ensino ministrado na Universidade é uma combinação de formação geral, formação técnica com base em evidências sobre o que funciona em educação e uma formação clínica ou prática, que se faz em articulação com as escolas. No corpo docente há vários professores, como eu, que já foram professores de escolas primárias e secundárias.  Tratarei mais sobre isso na minha última palestra no VIII Seminário Internacional do Instituto Alfa e Beto.

Quais são os ingredientes essenciais de um bom professor de língua?

Um olhar sobre o trabalho da OCDE e também o trabalho da maioria dos benchmarks estudados em todo o mundo, tais como os estudos da McKinsey sobre os sistemas de educação de alto desempenho, ensina que algumas competências da vida profissional muitas vezes têm efeito importante no sucesso do sistema de educação. Mas além desses aspectos, eu acredito que os professores precisam ter empatia com as experiências anteriores das crianças, especialmente se essas experiências forem diferentes das do professor. O professor precisa saber dessas diferenças e também precisa respeitar as crianças como indivíduos, desenvolvê-las não só em leitura e escrita, mas também como seres humanos, para que eles possam desfrutar do ambiente e ser criativos. No Reino Unido estamos tentando ter um currículo equilibrado, que reconhece a importância central do domínio da linguagem e do estudo das humanidades.

Os dados mostram que os professores no Brasil vêm dos alunos com pior rendimento no Ensino Médio. Além disso, eles recebem o que é geralmente considerado como uma má formação universitária. Diante dessa realidade, o que o Brasil pode aprender com as experiências internacionais?

Para garantir melhorias, concordo inteiramente com o investimento no desenvolvimento profissional do professor. Acho que é importante ter experiências práticas para fundamentar as intervenções, mas também acho que deve ser possível realizar formações nas quais os professores passam certo tempo refletindo e se desenvolvendo profissionalmente. É possível, porém difícil, que os professores se dediquem em certos momentos, ainda que não diariamente, a horas de formação após o trabalho para observar se tudo está seguindo como previsto. Eu estava em uma universidade em que os estudantes eram encorajados a se dedicar, antes do fim das aulas, por uma ou duas horas, sobre o que havia sido exposto e, como grupo, refletir sobre suas necessidades e traçar objetivos de desenvolvimento. Há um número considerável de pesquisas nesse sentido, de mostrar como deve ser a formação de professores que sirva de suporte para melhorar o desempenho em sala de aula.

Os computadores podem auxiliar os professores no ensino da língua? Quais são bons exemplos de tal uso?

Através de técnicas de multimídia, é possível ter noção de outras comunidades e de outras maneiras de falar e pensar. A experiência da linguagem pode ser usada para decodificar esse mundo. Mas sobre esse tema eu gostaria de detalhar melhor na minha visita ao Brasil em agosto.

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