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Alfabetização aos 6 anos: o que dizem as evidências

Alfabetizar pode ser definido também como “ensinar o cérebro a ler”, formar as conexões cerebrais entre as áreas visuais, auditivas e motoras do cérebro para ler e associá-las com as áreas responsáveis pelo processamento e compreensão da linguagem.

Hoje, dia 8 de setembro, comemora-se o Dia Internacional da Alfabetização. A data, instituída em 1967 pela Unesco tem como objetivo chamar a atenção de todos os países para a importância de se garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever e exerçam plenamente a sua cidadania.

A alfabetização, como todos sabem, é uma das causas defendidas pelo IAB. Por isso, aproveitamos esta data para aprofundar o debate sobre o tema no Brasil e compartilhamos com vocês algumas reflexões importantes a esse respeito. Buscamos, nos tópicos a seguir, explicar de forma direta e objetiva os motivos pelos quais toda e qualquer criança deve ser alfabetizada aos 6 anos de idade, no 1º ano do Ensino Fundamental, independente de seu nível socioeconômico. Confira:

Definição

O ponto de partida é definir o que é alfabetizar. Para isso, é preciso de uma teoria. O paradigma científico predominante, isto é, o que é aceito pela maioria dos cientistas e chancelado pelas revistas científicas de reputação internacional, é denominado de Ciência Cognitiva da Leitura. De acordo com esse paradigma, alfabetizar significa dominar o código alfabético, ou seja, usar conhecimentos sobre as correspondências entre fonemas e grafemas para extrair o som da palavra.

O que acontece no cérebro

Hoje sabemos que alfabetizar pode ser definido também como “ensinar o cérebro a ler”, formar as conexões cerebrais entre as áreas visuais, auditivas e motoras do cérebro para ler e associá-las com as áreas responsáveis pelo processamento e compreensão da linguagem.

O que a criança precisa para se alfabetizar

A criança precisa de um determinado nível de maturação cerebral e de ativação das áreas responsáveis pela formação da palavra (área cerebral denominada área da forma das palavras). Também precisa de algumas capacidades de concentração e um mínimo de abstração para compreender o princípio alfabético e as valências entre fonemas e grafemas. Precisa, ainda, de alguma capacidade de concentração e memória de curto prazo.

A maioria de crianças de 5 anos de idade é capaz de fazer isso com algum esforço, algumas o fazem com muito esforço e outras com pouco esforço. Ao final dos 5 anos, as crianças em geral possuem todas as condições para serem alfabetizadas de maneira sistemática. Exceções existem – algumas criança podem aprender a ler a partir de 3 ou 4 anos. A única consideração relevante, nesse caso, é que isso compete com outras atividades que seriam mais importantes nessa etapa do desenvolvimento infantil.

As características do sistema alfabético brasileiro

Existem estudos que comparam o grau de transparência/opacidade, isto é, o grau em que os fonemas e grafemas têm correspondências diretas (biunívocas). O português do Brasil situa-se um pouco acima da média de dificuldade. Comparando o nível de dificuldade de outros países, muitos pesquisadores inferem que é possível alfabetizar as crianças brasileiras em um ano letivo, portanto, aos 6 anos de idade, que é o 1º ano da escolarização formal.

O que pode e deve ser feito antes

As evidências são bastante fortes: ler muito com a criança, criar o gosto pela leitura, desenvolver o vocabulário, o conhecimento das letras (nome e forma), a consciência fonêmica, as habilidades motoras finas, estimular a escrita espontânea, etc.

Como saber se a criança foi alfabetizada

A criança alfabetizada é capaz de identificar palavras e pseudopalavras e ler textos conectados com um mínimo de 60 palavras por minuto. Este é o mínimo necessário para que a memória de curto prazo utilize as informações da leitura para processar o sentido e dar sentido ao que se lê.

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Quer saber mais sobre o assunto? Separamos algumas referências:

Dehaene, Stanlislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012

Morais, José. Criar leitores. São Paulo: LivPsic 2012

Oliveira, João Batista. ABC do Alfabetizador. Brasilia: Instituto Alfa e Beto 2005

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