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IDEB: municípios aumentam aprovação sem melhorar a qualidade

São inúmeros fatores que interferem no índice de escolas e redes de ensino. Um deles está explicitado no próprio mecanismo do IDEB e nas informações que o compõem.

dissemos aqui no Blog Alfa e Beto que uma nota alta no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) não significa, necessariamente, melhor qualidade de ensino. São inúmeros fatores que interferem no índice de escolas e redes de ensino. Um deles está explicitado no próprio mecanismo do IDEB e nas informações que o compõem.

O IDEB é composto de uma nota que leva em consideração o resultado dos alunos em Matemática e Língua Portuguesa na Prova Brasil e também a taxa de aprovação. O índice que as escolas e redes de ensino recebem é composto de uma média desses dados. Quanto melhores as notas nas duas disciplinas e mais alta a taxa de aprovação, melhor será o IDEB.

Porém, se um município decidir aumentar a nota, ele pode, infelizmente, fazê-lo sem melhorar o ensino. Essa é uma das informações reveladas no Boletim do IDados da Educação nº1, divulgado neste mês pelo IDados, a nova iniciativa do Instituto Alfa e Beto para embasar o debate sobre educação.

A análise feita a partir dos dados do IDEB de 2009 a 2013 mostra que é possível, por exemplo, aumentar apenas a taxa de aprovação sem melhorar na prova Brasil e, ainda assim, obter um resultado mais alto no IDEB. O Boletim mostra ainda que esta é uma tendência que vem crescendo no país – o que pode significar um prejuízo enorme para a qualidade da educação.

As evidências expostas no Boletim revelam que a proporção de municípios que aumentam a taxa de aprovação e diminuem as notas vem subindo, enquanto a dos que diminuem a taxa de aprovação e aumentam as notas vem caindo. Ou seja, ao longo dos anos, houve uma tendência de piora na qualidade do ensino – mesmo que a nota do IDEB venha crescendo aos poucos.

O Boletim revela também que medidas como essa, que visam aumentar a nota sem priorizar a qualidade, só têm efeito no curto prazo. Em longo prazo, a queda na qualidade do ensino ou a sua estagnação ficam evidentes e mostram que é impossível atingir as metas estabelecidas para cada escola sem uma mudança profunda.

A conclusão que podemos tirar dos dados apresentados no Boletim é que só há uma maneira de melhorar efetivamente a qualidade do ensino nas escolas brasileiras: é preciso garantir qualidade de ensino, qualidade que se reflita nas avaliações nacionais e internacionais. Apenas melhorando o ensino é possível obter uma escola que beneficie o estudante, no curto e no longo prazo.

Quer saber mais sobre IDEB? Baixe o Boletim IDados da Educação nº 1.

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