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Dia do Professor: educadores mostram como o trabalho em sala de aula melhora a aprendizagem e transforma vidas

Dez professores de oito municípios compartilham histórias de aprendizagem, acolhimento e persistência, e mostram por que cada conquista de um estudante também é uma conquista de quem ensina.

Dez professores de oito municípios compartilham histórias de aprendizagem, acolhimento e persistência, e mostram por que cada conquista de um estudante também é uma conquista de quem ensina

Ensinar é muito mais do que transmitir conteúdo. É perceber quando uma criança precisa de outro caminho para aprender, reconhecer um avanço que talvez pareça pequeno para os outros e ajudar cada aluno a descobrir do que é capaz. Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, as histórias de dez educadores de diferentes regiões do país dão rosto e voz a essa missão cotidiana, feita de conhecimento, vínculo, criatividade e compromisso com o futuro.

A homenagem acontece em meio a desafios importantes para a profissão. A pesquisa Apagão dos Professores, realizada pelo Instituto Semesp em 2024 com 444 docentes da Educação Básica, apontou que 79,4% já pensaram em desistir da carreira. Além disso, 74,8% mencionaram a falta de valorização e de estímulo profissional, enquanto 62,8% citaram a falta de disciplina e de interesse dos alunos entre as dificuldades do trabalho. Os números revelam a dimensão dos obstáculos, mas não resumem o que acontece nas salas de aula: ali, professores seguem criando oportunidades para que crianças e jovens avancem.

Cada aluno, um caminho de aprendizagem

Em Bom Jesus, no sul do Piauí, três professoras mostram como observar as necessidades de cada turma é parte essencial de ensinar. A rede municipal alcançou Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 8,1 nos anos iniciais em 2025, acima dos 6,9 registrados pela rede municipal de Teresina. Segundo dados municipais, todas as crianças chegam alfabetizadas ao fim do 2º ano. O município desenvolve há mais de dez anos um trabalho em parceria com o Instituto Alfa e Beto (IAB).

Com mais de duas décadas de experiência na educação e dez anos dedicados à Educação Infantil, Maria Cláudia Herculano Silva organiza atividades diferentes para crianças que estão em etapas distintas da leitura. Para ela, respeitar o ritmo de cada estudante também significa acreditar em seu potencial.

“Cada criança aprende no seu tempo, mas todas precisam ter alguém que acredite no seu potencial. É isso que busco fazer todos os dias em minha sala de aula: olhar para cada criança, respeitar seu ritmo, reconhecer suas dificuldades e, principalmente, acreditar em sua capacidade de aprender”.

Na Escola Municipal João Pinheiro, Wilza Maria Martins leva para a sala de aula uma variedade de recursos e estratégias, entre eles letras móveis e atividades que transformam a leitura em movimento. Sua prática parte da observação e da disposição para mudar a abordagem quando necessário.

“Eu acredito muito na criatividade como forma de tornar a aprendizagem significativa. Se percebo que uma atividade não está envolvendo a turma, também não tenho problema em mudar a estratégia. Criatividade é saber observar e adaptar”, diz.

Já no 5º ano, Mayara Paraguai Rodrigues usa avaliações para identificar o que a turma já domina e o que ainda precisa ser fortalecido. Ao corrigir atividades, convida os alunos a explicar o próprio raciocínio e comparar diferentes estratégias. “Quando o aluno explica como chegou à resposta, compara sua estratégia com a do colega e identifica onde errou, ele aprende com o próprio raciocínio”, afirma.

A confiança que abre portas

Em Cocal dos Alves, também no Piauí, a vocação de Vanessa Rocha de Sousa atravessa gerações. Filha de professora, ela cresceu ouvindo as histórias da mãe e decidiu seguir a mesma profissão. Hoje, no 2º ano, acompanha de perto a passagem das primeiras dificuldades à leitura com autonomia. A rede municipal iniciou a parceria com o Instituto Alfa e Beto em agosto de 2026.

“É uma fase em que conseguimos enxergar de forma muito concreta o quanto a aprendizagem transforma a criança”, conta Vanessa sobre acompanhar a evolução dos alunos. A professora se emociona especialmente com a trajetória de um estudante que chegou sem conhecer o alfabeto e hoje já lê textos. Para ela, reconhecer cada pequeno avanço ajudou a criança a acreditar que também era capaz de aprender.

Em Conceição do Canindé, Elizabeth Tayllon Passos de Paulo trabalha com uma etapa decisiva da alfabetização, no 2º ano. Em 2026, a rede municipal também passou a contar com o trabalho do Instituto Alfa e Beto. Elizabeth destaca que ensinar exige planejamento e atenção às necessidades de cada criança, mas que a profissão também é feita de propósito.

“O amor pela Educação me faz enxergar uma das profissões mais belas que existem: ser professora. Uma profissão que carrega a missão de plantar sonhos, despertar possibilidades e transformar vidas”.

A experiência de Tatiana Pereira Melo Araújo, em Patos de Minas (MG), mostra como uma lembrança difícil pode se transformar em compromisso com uma educação mais acolhedora. Depois de enfrentar dificuldades de aprendizagem e ser reprovada na infância, ela encontrou apoio em uma professora que a ajudou a recuperar a confiança. Hoje, alfabetiza crianças do 1º ano na Escola Municipal Prefeito Jacques Corrêa da Costa. A rede municipal conta com a parceria do Instituto Alfa e Beto desde 2023.

“Disse para mim mesma que seria professora e que não faria com meus alunos o que eu vivi”, lembra Tatiana. Sua história orienta a maneira como trabalha: oferecer às crianças um ambiente em que possam aprender sem que o medo se torne uma barreira. Em Patos de Minas, o percentual de estudantes do 2º ano alfabetizados passou de 69,1%, em 2023, para 76,9%, em 2024, segundo dados da Prefeitura.

Ensinar também é acolher e aprender

Em Esperantina, no Piauí, Francisca Maria Silva Moraes leva para o 5º ano a convicção de que educar também é compreender o que está por trás de cada comportamento. Na rede municipal, parceira do Instituto Alfa e Beto desde 2023, a professora acredita que diálogo, firmeza e confiança podem transformar a relação dos estudantes com os colegas e com a escola.

“Por trás de um comportamento agressivo, de uma resposta grosseira ou de uma atitude desafiadora, muitas vezes existe uma criança que precisa ser compreendida, acolhida e orientada”, afirma.

Francisca também valoriza acompanhar o amadurecimento dos alunos e suas conquistas para além das avaliações. Em 2025, a Escola Municipal São Benedito, onde ela atuava, alcançou nota 7,6 no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A rede municipal de Esperantina também registrou avanço no Ideb entre 2023 e 2025, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do Ensino Fundamental.

Em Pilar, em Alagoas, Lidiane Ferreira dos Santos, professora do 2º ano, acompanhou um aluno que chegou inseguro, desmotivado e convencido de que não conseguiria aprender a ler. Com o trabalho de alfabetização, ele passou a ler palavras e frases com autonomia em menos de três meses. A experiência ocorreu em uma rede que trabalha com o Instituto Alfa e Beto desde 2023.

“O impacto foi surpreendente. Ver o brilho nos olhos dele ao perceber que era capaz e testemunhar essa transformação em tão pouco tempo foi uma conquista gigantesca. Como professora, ver o resgate da autoestima desse aluno e a alegria dele ao se descobrir leitor é o que dá todo o sentido à minha profissão”, relata Lidiane.

A história mostra que alfabetizar é também fortalecer a confiança de uma criança em si mesma. Aprender a ler amplia as possibilidades de acompanhar as atividades escolares, expressar ideias e participar de novas experiências dentro e fora da sala de aula.

Em São Braz do Piauí, Mayane Costa Santos transformou um sonho de infância em profissão. Aos 32 anos, depois de conciliar trabalho e estudo até ingressar no ensino superior, ela é professora da Pré-Escola. A parceria da rede municipal com o Instituto Alfa e Beto começou em maio de 2026. Na rotina escolar, Mayane acompanha as primeiras descobertas das crianças e a construção das bases importantes para a alfabetização.

“Perceber que meu trabalho contribui de forma tão direta e transformadora para a formação delas é o que mais me realiza como professora”, conta. Entre as lembranças que guarda estão as primeiras palavras lidas, mas também os gestos espontâneos de carinho que fazem parte da rotina escolar.

Caminhos diferentes, compromisso que permanece

A trajetória de Márcio Manoel Mesquita da Silva, de São João do Arraial, no Piauí, começou por um convite. No fim de 2001, quando trabalhava em bares e restaurantes, recebeu a oportunidade de dar aulas em uma rede que precisava de professores. Mais de duas décadas depois, continua na docência, hoje como professor do 4º ano. O Instituto Alfa e Beto atua na rede municipal desde 2024.

Márcio cursou Licenciatura em Geografia e passou a acompanhar as conquistas dos alunos em avaliações e olimpíadas escolares. A experiência também lhe ensinou que a profissão exige persistência.

“Para quem está começando agora a carreira de professor, eu diria que vai precisar de muita dedicação e paciência para lidar com os diversos desafios que aparecem ano após ano. Apesar das dificuldades, é muito gratificante para a nossa profissão”.

As histórias de Bom Jesus, Cocal dos Alves, Conceição do Canindé, Esperantina, Patos de Minas, Pilar, São Braz do Piauí e São João do Arraial são diferentes, mas compartilham um mesmo sentido: ensinar é estar presente no percurso de cada estudante.

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