Na educação, situação familiar vale mais do que valor gasto

Leia a reportagem original aqui.

Na rede estadual de ensino, a relação entre o rendimento do aluno e o nível socioeconômico da escola é mais forte que o investimento feito pelo Estado na escola avaliada. É o que mostra levantamento feito com base em dados divulgados na semana passada pelo Instituto Alfa e Beto – organização não-governamental (ONG) na área da educação, com sede em Brasília (DF) – e com informações repassadas pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), todos referentes aos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio de 2014 (Enem 2014).

O nível socioeconômico é um índice que aparece na divulgação das notas do Enem 2014 pelo Inep e é calculado com base no questionário respondido pelos alunos na hora da inscrição no exame, levando em conta a escolaridade dos pais, posse de bens, renda e contratação de serviços pelas famílias dos alunos.

Um indício de que a relação entre o rendimento do aluno e o nível socioeconômico é mais forte está nos indicadores de Goiás e Roraima no Enem 2014. Ambos os Estados ficaram com a mesma média na prova objetiva (479) e o mesmo índice do nível socioeconômico (4,21), apesar de Goiás ter um custo aluno 52% maior do que o do Norte brasileiro – R$ 6.240 contra R$ 4.171. Goiás é o 5º Estado com maior custo por aluno do País, segundo dados do Instituto Alfa e Beto.

Ao se fazer um ranking dos três indicadores (nota das provas objetivas do Enem, custo/aluno e nível socioeconômico), com base nos dados divulgados pelo Inep, é possível calcular um índice de correlação entre eles (veja quadro). O resultado varia de fraco ou inexistente (entre 0 e 0,20) a muito forte (0,80 a 1). Ao se comparar o rendimento do aluno com o custo aluno, a correlação fica em 0,38. Já quando se compara com o nível socioeconômico, passa para 0,79.

A relação com o nível socioeconômico é perceptível também ao se comparar os dados dentro da própria rede estadual de Goiás. Quanto maior o nível socioeconômico, maior a nota. Dentre a rede estadual, essa variação é de 66 pontos. O mesmo problema é constatado na rede particular, sendo que a diferença de variação é ainda maior (93 pontos). No levantamento feito pelo Instituto Alfa e Beto, a diferença entre os níveis socioeconômicos dentro das redes em nível nacional é ainda maior, de 86 pontos na estadual e 136 pontos na particular.

Presidente do IDados, Centro de Pesquisas em educação do Instituto Alfa e Beto responsável pelo levantamento, Paulo Oliveira concorda que a relação entre o nível socioeconômico e o rendimento do aluno é mais forte do que no caso do custo aluno. Segundo ele, um dos principais desafios é uma mudança no currículo. “O currículo do ensino médio é um exagero. São 15 matérias. Países com sistemas melhores não cometem esse abuso.” Os alunos, ressaltou, não estão conseguindo aprender o que é ensinado dentro da grade curricular.

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