O impacto da educação

Nota do Instituto Alfa e Beto:
Este artigo foi publicado originalmente no jornal Valor Econômico

Cada ano de escolaridade adicional vale muito mais para o cidadão do que o contracheque do Bolsa Família. Os candidatos José Serra e Dilma Rousseff devem se esforçar para convencer os eleitores de que a melhor política social é a educação de qualidade, aliada a uma sólida política econômica geradora de empregos qualificados.

Se o país não entender isso, perderá postos de trabalho para os estrangeiros melhor preparados — o que já começa a ocorrer pelo descompasso entre a demanda do mercado profissional e o nível da educação da maioria dos brasileiros.

As evidências sobre o retorno econômico da educação são abundantes. Cada ciclo de estudos concluído impacta positivamente de 30% a 100% a renda média das pessoas. Nos dois primeiros níveis, fundamental e médio, a qualidade não influi tanto no salário médio.

Mas é a partir do ensino superior que os benefícios da educação de qualidade são mais sensíveis ao bolso. Essa é uma grande jornada.

No seu início, é preciso ir além do acesso e assegurar a igualdade de sucesso, o que se consegue com vigorosas políticas de primeira infância. Só creches não bastam, são necessárias ainda condicionalidades associadas ao Bolsa Família e muito mais.

Há políticas eficazes e exemplos vitoriosos no Brasil e nos países desenvolvidos. O Brasil não é bem-sucedido no ensino fundamental. Nenhuma outra nação avançou adotando políticas similares às propostas e implementadas nos três níveis da federação.

Uma bem vinda reforma educacional irá requerer mudanças profundas na pedagogia e na gestão da pedagogia. Até aqui, temos arremedos de reforma e tentativas de conciliação com pressões corporativistas.

O país deverá enfrentar o quadro de despreparo do magistério, enquanto inaugura política capaz de atrair e manter bons professores. Até lá, teremos compromissos e remendos.

No ensino médio faltam alunos e sobram escolas. Há mais vagas no primeiro ano do ensino médio do que egressos do oitavo ano, que, em geral, não sabem ler e escrever. Nosso modelo de escolas técnicas em prática é ultrapassado.

Nas nações desenvolvidas, essa etapa de ensino é diversificada, para atender às condições dos indivíduos e às necessidades da sociedade, que estão cada vez mais no setor de serviços.

Precisamos criar novas formas de inserção no mercado de trabalho para a população de 15 a 30 anos que não completou sua escolaridade. O ensino superior é um bom negócio para o governo e o setor privado. A taxa de retorno é excepcional.

A política pública deve se concentrar na regulação, para promover a competição, e na desregulamentação das profissões, para permitir a modernização dos currículos, de acordo com as tendências e exigências do século XXI.

Melhorar a educação no Brasil requer coragem para enfrentar o corporativismo generalizado dos sindicatos e da comunidade acadêmica que, em grande parte, tem sido responsável pela timidez das reformas propostas até aqui. Com a palavra, os candidatos.

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