Seminário do Instituto Alfa e Beto em Maceió mostrou casos de sucesso dos 20 anos do Programa de Alfabetização

Coleção Ômega, voltada especificamente para os anos finais do Ensino Fundamental, foi apresentada no encontro

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casos de sucesso dos 20 anos do Programa de Alfabetização

O Seminário Nacional de Educação 2023 do Instituto Alfa e Beto (IAB), realizado em Maceió nos dias 15 e 16 de junho, reuniu dezenas de Secretarias Municipais de Educação dos estados do Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Durante o encontro, além de iniciativas que contribuem para a melhoria educacional no país, foram apresentados casos de sucesso nos municípios atendidos pelo Instituto.

O seminário teve como tema a adequação da ação das secretarias para lidar com as decorrências da pandemia. Além dos dados apresentados, teve como foco o uso dos instrumentos de gestão relativos à sala de aula.

A frequência, por sinal, foi um tema destacado pela professora Railene Azevedo, coordenadora educacional na Secretaria Municipal de Boa Vista (RR). Ela falou sobre a dificuldade que tem sido gerenciar a rede municipal da capital de Roraima e como o IAB tem contribuído para o suporte e a melhoria do sistema educacional local.

“Vinte por cento dos 80 mil alunos da rede municipal da capital de Roraima são crianças refugiadas da Venezuela. Há muita dificuldade em passar os conteúdos educacionais para os estudantes venezuelanos, que, além da dificuldade do idioma, têm o foco voltado para retornar para casa. O Instituto Alfa e Beto desenvolve conosco um programa especial de alfabetização para Boa Vista e nos dá um suporte de gerência essencial e fundamental”, afirmou Railene.

Outro caso de sucesso emblemático é o do município de Sobral, que está com a parceria do IAB há 20 anos. A professora e coordenadora dos anos iniciais da rede municipal de Sobral, Edna Lima, frisou a importância da política de alfabetização da cidade e como tem sido o trabalho do Instituto na atuação para os resultados positivos do programa. Ela também destacou o acompanhamento da frequência escolar.

“Uma das nossas diretrizes era acompanhar a frequência escolar. Nossos gestores fazem esse trabalho diariamente, para garantir que os alunos estejam na escola, aprendendo. Fazemos ações com os estudantes, com os pais, com toda a família e a sociedade. Num primeiro momento, não foi fácil, mas o Instituto Alfa e Beto nos deu todo o apoio e trouxe os resultados de aprendizagem das crianças. Com os filhos lendo, escrevendo e fazendo as atividades, a família entendeu a importância de as crianças estarem na escola diariamente”, contou Edna.

Anos finais

No seminário, o presidente do IAB, João Batista Oliveira, apresentou o novo projeto do Instituto, voltado para os anos finais do Ensino Fundamental, considerado o elo perdido da educação. Esse segmento, no qual há a transição para o Ensino Médio, tem sido relegado pelas redes de ensino.

“Quanto à alfabetização, já se tem consciência, no Brasil, da sua importância, mas com os anos finais ainda temos um grande desafio. Os alunos estão desinteressados, desestimulados. Na busca de sua afirmação e independência, começam a se afastar da escola e até da família. A escola, por outro lado, também oferece novos desafios, que muitas vezes acabam deixando o aluno sem apoio. Para ajudar as Secretarias de Educação e as escolas a lidar com esses desafios, criamos a Coleção Ômega”, afirmou João Batista.

Ele também lembrou que esse é um período, para os jovens, de mudança socioemocional, quando o adolescente fica questionador, tem suas opiniões, quer se afirmar.

“A cabeça e o corpo do aluno estão mudando, além dele sofrer pressão social. Vem tudo num pacote só e com muita força. Pensando em tudo isso, trabalhamos num currículo que atende ao jovem, com temas de interesse. Apresentamos ao estudante o conteúdo de forma adequada, falando de saúde, matemática financeira, meio ambiente, condição humana. Tudo para ele entender o contexto e o fio da meada”, disse o presidente do Instituto.

A nova Coleção Ômega leva o aluno a uma viagem e a uma aventura pelas disciplinas estudadas nos anos finais. Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências estão em livros e outras mídias com linguagem e visual adequados. O material foi elaborado dentro de uma estrutura e com sequência histórica das informações. É uma abordagem contextualizada e com muita facilidade de entendimento também para os pais, que são essenciais no acompanhamento dos filhos na educação.

Conheça mais sobre a Coleção Ômega em: https://www.colecaoomega.com.br/.

Estudo

Para trabalhar a Coleção Ômega, o IAB, como sempre, baseou-se em comprovações científicas. Foi feito um estudo que constatou três importantes conjuntos de informações oportunas nas questões de educação e no futuro da juventude. O primeiro é que os avanços dos alunos nos anos finais foram muito reduzidos nos últimos 20 anos. Algumas redes municipais obtiveram melhorias, mas as redes estaduais, não. Nem mesmo o Paraná, em que o segmento dos anos finais está sob controle total da rede estadual, avançou de forma diferencial em comparação à média nacional. No estado de São Paulo, os avanços das duas redes (estadual e municipal-capital) têm sido muito aquém da média nacional nesses últimos 20 anos.

O segundo ponto importante é que o marasmo nos anos finais é usual na maioria dos países, inclusive em países desenvolvidos, e tem a ver com o descompasso entre o momento de transição da adolescência e o que a escola tem a oferecer.

O terceiro conjunto de informações é auspicioso: conseguir avanços nos anos finais independe do nível dos alunos que chegam ao 6o ano. Dezenas de municípios conseguiram avanços significativos com alunos que chegavam com níveis tanto muito baixos quanto adequados. A informação é valiosa, pois sugere que não há razão para esperar a melhoria dos anos iniciais para depois intervir nos anos finais.

Acesse e leia o estudo completo no link a seguir:

Os anos finais do Ensino Fundamental se tornaram o “elo perdido”?