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18 a 19 de Agosto

III Seminário Internacional IAB

Ensino da Matemática nas séries iniciais

III Seminário Internacional IAB

Os conhecimentos sobre o ensino da Matemática evoluíram sensivelmente nos últimos anos. Os autores dos artigos apresentados neste Seminário discutem três aspectos práticos desses novos conhecimentos: o que ensinar, como ensinar, o que os professores devem saber. O pano de fundo são os avanços da neurociência, que autorizam e estimulam o ensino da matemática desde cedo e abrem novas fronteiras para o entendimento de como as crianças adquirem as bases que lhes permitem aprender matemática na escola.

O que ensinar?
William Schmidt explora essas questões. Existe um consenso bastante avançado, entre pesquisadores e formuladores de políticas públicas, a respeito do que se deve ensinar de Matemática nas séries iniciais. No limite, os alunos devem dominar o suficiente de Matemática para poder escolher vertentes do ensino médio mais acadêmicas ou mais aplicadas. Em outras palavras: os jovens só terão reais condições de fazer opções, ao chegar ao Ensino Médio, se dominarem determinados conhecimentos básicos de Matemática.

Como ensinar?
Dan Willingham apresenta de maneira didática os resultados de pesquisas da área de Psicologia Cognitva sobre a aprendizagem e o ensino da Matemática. Mas primeiro ele nos faz um alerta: o cérebro possui algumas capacidades naturais para aprender Matemática. Como outros animais, o ser humano possui um senso numérico que lhe permite manipular quantidades muito pequenas com precisão e manipular quantidades bem mais altas de forma aproximada. Mas isso é apenas o começo, a base sobre a qual pode se assentar uma boa aprendizagem da Matemática, especialmente da Matemática requerida para progredir no Ensino Médio e no Ensino Superior. Portanto, não devemos esperar que os alunos aprendam a Matemática com facilidade. Ao invés disso, devemos esperar que a proficiência Matemática requeira um cultivo cuidadoso e se desenvolva lentamente. Ao mesmo tempo, como sabemos que os alunos nascem com a habilidade de aprender matemática, não devemos deixá-los desistir ao concluir que simplesmente não são bons em Matemática.

O que os professores precisam saber?
Hung-Hsi Wu começa pela definição da própria Matemática: a Matemática é um conjunto de elos encadeados que envolve precisão, definições, raciocínio coerência e uma finalidade. As afirmativas matemáticas são claras e sem ambiguidade. As definições são o esteio de sua estrutura: se elas não forem precisas e rigorosas, não há Matemática. Os estudos empíricos sobre o tema sugerem que é muito mais importante o professor conhecer bem os conteúdos que ensina e sua fundamentação do que possuir diplomas de níveis avançados de Matemática.

O Seminário foi complementado por uma revisão da literatura a respeito da aprendizagem da Matemática. Os estudos contribuem para entender as relações entre desenvolvimento infantil, linguagem e aprendizagem da Matemática, bem como lançam luz sobre a origem das dificuldades que algumas crianças têm para aprender Matemática e sugere a importância do diagnóstico e de intervenções precoces para evitar que essas dificuldades aumentem quando a criança chega à escola.

 

Leia a seguir a publicação síntese deste Seminário. Para fazer o download do livro,clique aqui.

Palestrantes

Daniel T. Willingham

Universidade da Virgínia

Professor de Psicologia Cognitiva da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, desde 1992. É Ph.D. em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Harvard. Suas pesquisas focam-se nas bases cerebrais da aprendizagem e da memória e em como aplicar esses conhecimentos na educação escolar. É autor da coluna “Ask the Cognitive Scientist” do periódico American Educator Magazine. Escreveu também o livro Why Don’t Students Like School?. Seus escritos na área estão traduzidos para mais de dez idiomas.

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Hung-Hsi Wu

Universidade da Califórnia, Berkeley

Professor Emérito da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos. Pesquisa o ensino de matemática há quase duas décadas, motivado pelos óbvios problemas das escolas nessa área. Participou ativamente da elaboração de políticas públicas para o ensino de matemática no estado da Califórnia, contribuindo na revisão dos parâmetros curriculares e na elaboração de testes padronizados para o Estado. Foi membro do Comitê Diretor de Matemática do NAEP. Desenvolveu estratégias para capacitação de docentes em serviço e livros didáticos para o ensino de matemática nas escolas. Desde 2000 dá cursos de verão para formação de professores de Ensino Médio e Elementar.

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Xavier Seron

Universidade Católica de Louvain

Professor emérito e pesquisador do Departamento de Neuropsicologia da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Criou o centro de reabilitação neuropsicológica dentro do Departamento de Neurologia da Universitaires Saint-Luc Cliniques. Seus principais interesses são a reabilitação cognitiva, a análise neuropsicológica do cálculo e o processamento dos números. É autor de mais de 250 artigos científicos. Um de seus livros trata da detecção precoce de dificuldades específicas da aprendizagem de matemática nos primeiros anos de escola. É membro fundador da Sociedade de Neuropsicologia em língua francesa, que presidiu de 1986 a 1988.

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William Schmidt

Universidade do Estado de Michigan

Pesquisador do Instituto de Pesquisa Matemática e Educação Científica da Universidade do Estado de Michigan. Doutor pela Universidade de Chicago, é também codiretor do Centro de Políticas Educacionais e diretor do projeto Promoção de Promoção de Resultados Rigorosos na Educação em Matemática e em Ciências. Seus trabalhos atualmente se centram em pesquisas sobre a preparação do professor e os efeitos do programa sobre o desempenho acadêmico. É membro da Academia Nacional de Educação e da Associação Americana de Pesquisa em Educação (AERA).

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