Na Escola Municipal Dinorah Tomaz Ramos, a professora Nayara Aragão usa os bonecos Alfa e Beto para despertar o amor pela leitura
Conhecida internacionalmente como uma referência em educação, Sobral (CE) apresenta números que a colocam no topo do país: primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) com a nota 9,6 e 90% das crianças alfabetizadas aos 7 anos. É neste cenário de excelência que a paixão pelo ensino transforma a sala de aula em um palco de sonhos.
Na Escola Municipal Dinorah Tomaz Ramos, a professora Nayara Aragão, educadora por vocação e legado familiar, está à frente do projeto “Despertando o Gosto pela Leitura com Alfa e Beto”, uma iniciativa que usa a magia da contação de histórias e personagens lúdicos para construir uma ponte emocional entre os alunos do 1º Ano do Ensino Fundamental e o universo da leitura.
Para Nayara, a educação é mais que uma profissão, é a realização de um sonho de infância. Crescida em meio a educadores, a paixão pelo ensino floresceu cedo, nas brincadeiras de criança onde a “escolinha” era o seu lugar favorito. Hoje, ela usa sua história pessoal para o projeto, transformando a alfabetização em uma aventura lúdica e envolvente.
A essência da iniciativa reside no uso estratégico dos bonecos Alfa e Beto, que atuam como mediadores das histórias e do aprendizado. Mais do que meros recursos didáticos, eles são os protagonistas que incentivam o prazer em manusear livros e explorar o método fônico de forma divertida.
“As crianças se envolvem mais nas atividades quando conseguem estabelecer uma relação afetiva com os personagens, despertando curiosidade, motivação e fantasia. A presença dos personagens nas histórias, nos jogos e nas propostas de leitura e escrita torna o aprendizado mais leve, concreto e prazeroso”, detalhou a professora Nayara.
Essa metodologia é marcada pela integração e pelo carinho. Além da contação de histórias e atividades de reconto em sala, o projeto se estende ao lar por meio da “sacolinha da leitura”, que envia livros e bilhetes para leitura compartilhada, fortalecendo o vínculo essencial entre escola e família.
A abordagem inovadora reflete a dedicação e a qualificação de uma educadora que respira o ensino. Com 31 anos, Nayara Aragão tem formação em Pedagogia pela Faculdade Inta, incluindo pós-graduação em Gestão, Coordenação, Planejamento e Avaliação Escolar. Sua trajetória, que começou em 2014 como auxiliar de professora, inspirou esse trabalho que não apenas ensina a decifrar letras, mas desperta o amor pela leitura, garantindo que Sobral continue a ser um modelo de sucesso onde a educação é a chave para o futuro.
Confira a entrevista completa com a professora Nayara Aragão:
Para iniciarmos, conte-nos mais sobre a sua paixão pela educação. O que a motivou a se tornar professora? Foi um sonho de criança ou chegou a cogitar outra profissão?
Venho de uma família de educadores, minha avó materna era da área, foi diretora escolar e ao se aposentar transferiu seu cargo para a minha mãe, onde tive o total pilar, brincava quando criança de escolinha, de ser professora, mas minha paixão mesmo pela área veio ao passar a trabalhar em uma escola de rede privada.
Poderia nos falar um pouco sobre sua trajetória na Escola Dinorah Tomaz Ramos e o contexto da sua turma de 1º ano?
Na escola Dinorah Tomaz Ramos iniciei há pouco tempo, pois eu trabalhava em rede privada, estou lá há pouco mais de 5 meses. De antemão sempre fui apaixonada por estimular a imaginação e a criatividade através da leitura.
O projeto ‘Despertando o Gosto pela Leitura com Alfa e Beto’ é muito inspirador. Qual foi a principal motivação ou o diagnóstico inicial que a levou a desenvolver esta iniciativa, especialmente focada no estímulo à leitura?
Envolver pais e instigar nas crianças o desejo e a curiosidade na leitura. Ao levar para casa os fantoches, a leitura se tornaria mais atrativa. A ideia central veio da experiência que tive em escola privada, porém o foco lá era trabalhar as emoções com os fantoches do LIV – Laboratório de Inteligência de Vida.
Como a senhora percebe que os personagens lúdicos Alfa e Beto contribuem para tornar o processo de alfabetização mais divertido e interativo para as crianças?
Percebo que os personagens lúdicos Alfa e Beto contribuem significativamente para tornar o processo de alfabetização mais divertido e interativo. As crianças se envolvem mais nas atividades quando conseguem estabelecer uma relação afetiva com os personagens, despertando curiosidade, motivação e fantasia. A presença dos personagens nas histórias, nos jogos e nas propostas de leitura e escrita torna o aprendizado mais leve, concreto e prazeroso, além de facilitar a compreensão dos conteúdos e manter a atenção dos alunos.
A ideia geradora do projeto é ‘A leitura como ponte entre a escola e a família’. Como a senhora traduziu esse conceito em objetivos práticos para o dia a dia da sala de aula?
Traduzi a ideia geradora em objetivos práticos ao desenvolver ações que aproximam escola e família do processo de alfabetização. Criei momentos de leitura compartilhada, incentivando que as crianças levassem livros para casa e realizassem pequenas atividades com a família, fortalecendo o vínculo afetivo e o hábito de ler. Na sala de aula, trabalhei com rodas de leitura, reconto de histórias e atividades que valorizam as experiências que os alunos trazem de casa.
Poderia detalhar um pouco mais sobre a metodologia? Como foi a apresentação dos bonecos Alfa e Beto e de que forma a ‘Contação de histórias com os personagens’ se diferencia de uma contação de histórias tradicional?
A metodologia buscou integrar alfabetização, ludicidade e participação ativa das crianças. A apresentação dos bonecos foi planejada para criar encantamento e envolvimento emocional. Os personagens foram introduzidos como amigos que acompanhariam as descobertas da leitura e da escrita. A contação com Alfa e Beto se diferencia da tradicional porque os bonecos se tornam mediadores da narrativa, interagindo com as crianças, fazendo perguntas e convidando ao protagonismo infantil. Essa dinâmica favorece atenção, oralidade e compreensão dos conteúdos de forma concreta e significativa.
O projeto menciona o ‘Cantinho da Leitura do Alfa e Beto’ e a ‘Sacolinha da Leitura’. qual o papel desses recursos didáticos na criação de um ambiente de leitura estimulante, tanto na escola quanto em casa?
O Cantinho da Leitura cria, na escola, um espaço acolhedor que incentiva as crianças a explorarem textos e materiais de forma espontânea, despertando interesse e curiosidade. A Sacolinha da Leitura permite que as crianças levem textos curtos para casa, envolvendo a família no processo de alfabetização e fortalecendo o vínculo entre escola e lar.
A ‘Sacolinha da Leitura’ é um elo direto com a casa. Que tipo de retorno a senhora recebeu das famílias sobre essa atividade e como isso impactou a relação delas com a leitura?
As famílias deram retornos muito positivos, relatando maior participação nas leituras em casa. A Sacolinha da Leitura fortaleceu o vínculo familiar e aproximou as crianças da leitura, tornando esse momento mais significativo no dia a dia.
Após a implementação, quais foram os resultados mais notáveis que a senhora observou, especialmente em relação ao progresso na oralidade e no entusiasmo das crianças pela leitura?
Após a implementação, observei avanços significativos na oralidade, com as crianças mais confiantes para se expressar, relatar o que ouviram e participar das conversas. Também houve um aumento evidente no entusiasmo pela leitura, demonstrado pelo interesse, curiosidade e envolvimento durante as atividades.
O projeto terá continuidade? Há planos para expandir ou adaptar a iniciativa para outras turmas ou anos?
Sim, o projeto terá continuidade. Há planos de manter e ampliar a iniciativa, adaptando as atividades para outras turmas e anos, respeitando as especificidades de cada faixa etária, com o objetivo de fortalecer ainda mais o gosto pela leitura desde os primeiros anos escolares.
Para finalizar, qual mensagem a senhora gostaria de deixar para outros professores e pais que buscam despertar o gosto pela leitura em crianças pequenas?
Gostaria de reforçar que a leitura precisa ser apresentada às crianças como um momento de afeto, escuta e prazer. Quando escola e família caminham juntas, oferecendo exemplos e criando pequenos rituais de leitura no dia a dia, o interesse surge de forma natural e significativa, contribuindo para a formação de leitores desde a infância.














